Eixo Roda, Belo Horizonte, v. 28, n. 4, p. 139-166, 2019 eISSN: 2358-9787 DOI: 10.17851/2358-9787.28.4.139-166 As facetas do humano na percepção gonçalvina: uma análise da correspondência e do diário de viaJeP à APazônia Facets of Human on Gonçalves Dias’ Perception: An Analysis of His Correspondence and His Amazon Travel Journal Renata Ribeiro Lima Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Alcântara, Maranhão / Brasil Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, Rio de Janeiro / Brasil renata.lima@ifma.edu.br Resumo: Este artigo busca explorar a complexidade dos modos de representação do indígena em Gonçalves Dias para além da sua obra poética, a partir de textos híbridos que a complementam: seus escritos pessoais. Selecionamos, para este ソm, registros de um momento crucial da trajetória do autor: o ano de 1861, em que viajou para a Amazônia e teve, assim, ocasião de confrontar o imaginário criado em torno da ソgura do indígena e a experiência empírica. Tendo já toda a obra indianista publicada, mas sempre com projetos de escrever mais (Os Timbiras permanecia incompleta), o poeta mestiço vive nessa viagem uma situação ímpar de reタexão, que desenvolve através da correspondência e do diário de viagem. À luz de teóricos da decolonialidade, procuramos compreender as origens do ideário que inタuenciou a percepção gonçalvina e situar a categoria “humano” nas suas diversas facetas, valorações e gradações. A leitura desse material sugere uma tensão racial intensa, na qual se empregam designações diversas com base na cor da pele e na miscigenação. Observamos a ambivalência presente no jogo entre convenção poética e o registro descritivo das observações pessoais, isto é, na diソculdade de deソnir objetivamente quem seria o índio, quem representaria a “nossa gente”. Palavras-chave: Gonçalves Dias; correspondência; diário; humano; representação; indígena.