COSMO-ONTOLOGIA E XAMANISMO ENTRE COLETIVOS KAINGANG Sergio Baptista da Silva Núcleo de Antropologia das Sociedades Indígenas e Tradicionais/NIT Programa de Pós-graduação em Antropologia Social/PPGAS-UFRGS sergiobs@terra.com.br ! "!# $ % &’%()* +,-# .# #/ # 0 12 3 ’1%%)4 56’ 789:978,,9,9 .#, 9 056’ 789:9;-,--9+-9+4 .# 9 056’ 789:978,,9,9;4 ,# )2 9 # # -# )2 :# 5# "!* ! 0#4 55# <# ( 7-,0,;#:4 %= ;7 78# Meu intuito neste artigo é o de apresentar alguma etnografia, tanto própria como de outros autores, realizada junto a coletivos kaingang no sul e no sudeste brasileiros, além de trazer informações sobre outros povos falantes de línguas jê, tendo como objetivo principal refletir sobre as categorias êmicas de corpo e pessoa a partir de sua singular cosmo-ontologia, que não separa os domínios da “natureza” e da “cultura”. Igualmente, pretendo estabelecer algumas relações entre estas categorias, o sistema xamânico kaingang e um mundo concebido como intensamente relacional entre as alteridades existentes e presentes no cosmos, descrevendo e analisando o processo de composição, dividuação e destruição do corpo e da pessoa kaingang no devir. Os coletivos kaingang são aqui compreendidos como coletividades alargadas, que incluem na sua composição tanto seres humanos (ou pertencentes à série intra- humana) como seres não humanos (ou oriundos da série extra-humana). Tem-se, então, desde um ponto de vista epistemológico kaingang, não uma “sociedade”, termo