O “anormal” de Foucault e os “corpos que (não) importam” de Butler: um debate a respeito das violências cometidas contra os sujeitos que estão fora das normas. JOÃO MARCELO DE O. CEZAR 1 RESUMO Este trabalho se propõe a uma problematização de como se dá a deslegitimação de determinados modos de existência e as formas como certas identidades e orientações sexuais se tornam ilegítimas, inviabilizando, inclusive, a vida de determinados corpos, que são marcados como inferiores por estarem fora do padrão estabelecido socialmente. Para este objetivo geral, serão levadas em consideração as perspectivas teóricas de Michel Foucault e Judith Butler. Com o primeiro, estudaremos o conceito de “anormal”, focando mais precisamente nos sujeitos homossexuais; com a segunda, a ideia de “corpos que (não) importam”. O elo entre os dois balizadores teóricos constitui uma importante ferramenta da Teoria Queer no que concerne ao modo como ela compreende as violências que são direcionadas aos corpos de sexualidades desviantes. Palavras-chaves: Foucault; Butler; Anormal; Corpos que importam; Resistência. INTRODUÇÃO Os trabalhos de Michel Foucault estão divididos dentro de três fases de estudo, como apontam Paul Rabinow e Hubert Dreyfus em Michel Foucault, Uma Trajetória Filosófica (1995), elas são divididas em: Arqueologia (década de 1960), Genealogia (1970) e a Estética da Existência (a partir de 1980). A Fase Arqueológica estuda os saberes, que engloba o que o filósofo nomeia de "Enunciados e Visibilidades", responsáveis por elaborarem os discursos tidos como verdadeiros em uma sociedade. A Genealogia, por sua vez, irá tentar compreender como esses regimes discursivos são formados (sua gênese) e os objetivos deles, entendendo que 1 Graduando em História pela “Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) – Campus de Assis. Trabalho fruto de pesquisa fomentada pela “Fundação de amparo à pesquisa do estado de São Paulo” (FAPESP).