SBPJor Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 18º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo 3 a 6 de Novembro de 2020 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: 1 Refutação automatizada de notícias falsas na pandemia: interações com o robô Fátima, da agência Aos Fatos Ivan Paganotti 1 . Universidade Metodista de São Paulo Resumo: Agências de checagem de fatos enfrentam o desafio de fazer com que suas verifica- ções alcancem públicos que desconhecem, desconfiam ou hostilizam seus métodos de verifica- ção. Redes sociais, espaço em que proliferam notícias falsas, podem ser um espaço para ampliar o público dessas agências. O artigo avalia a experiência da conta automatizada no Twitter criada pela agência Aos Fatos para identificar e interagir com usuários dessa rede social que publicam informações falsas. O robô apelidado de “Fátima” varre o Twitter para identificar postagens com links que já foram refutados pela agência de verificação, e responde aos usuários indicando o erro e sua correção. Esta pesquisa procura avaliar quais notícias falsas foram mais frequentes durante a pandemia em 2020, e de que forma os usuários interagiram em resposta a essas corre- ções. Palavras-chave: notícias falsas; checagem; Twitter; robô; interação. 1. Introdução A pandemia de covid-19 foi acompanhada por ondas de notícias falsas que con- taminaram as redes sociais (QUEIROZ, 2020). Sedentos por atualizações que pudessem saciar a angústia em cenário ameaçador, parte dos usuários das redes sociais parece aceitar inclusive informações de procedência duvidosa ou evidentemente prejudiciais e falsas. Quando a incerteza favorece a desinformação, o público se contagia por boatos 1 Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), e docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (PósCom/Umesp). E- mail: ivanpaganotti@gmail.com