100 PHoÎniX, rio de Janeiro, 17-2: 100-116, 2011. nATUREZA nILóTIcA: UMA REPRESEnTAçãO MUSIvA AFRO-ROMAnA * Regina Maria da Cunha Bustamante ** Resumo: O Egito foi um tema fgurativo recorrente na arte romana. Nas províncias romanas da África do Norte, encontra-se uma vintena de representações musivas com motivo egípcio. Para esta apresentação, selecionamos um fragmento do mosaico fgurativo policromático que decorava o pavimento de um triclinium (sala de jantar) de uma domus (residência urbana da elite) da cidade portuária de Hadrumetum (atual Sousse na Tunísia), datado do século III. Atualmente, este fragmento (2,10m X 1,38m) faz parte do acervo do Museu de Sousse (inv. n° 10.457). Objetivamos identifcar e analisar as implicações culturais presentes no discurso imagético musivo escolhido. Partimos da premissa de que a imagem é uma linguagem composta de signos icônicos; portanto, passível de interpretação. Visando compreender o modo de produção de sentidos deste discurso imagético musivo, aplicaremos a dinâmica de signo proposta por Pierce, centrada na relação solidária entre três polos componentes do processo semiótico, a saber: o objeto ou refer- ente (o que é representado pelo signo), o representamen ou signifcante (a face perceptível do signo) e o interpretante ou signifcado (que depende do contexto do seu aparecimento e da expectativa do receptor). Palavras-chave: África Romana; mosaico; representação; Egito; identi- dade/alteridade. * Comunicação apresentada no XII Encuentro Internacional de Estudios Clásicos: Naturaleza y sentido del silencio en la Antigüedad Clásica, promovido pelo Centro de Estudios Clásicos Giuseppina Grammatico Amari da Universidad Metropolitana de Ciencias de La Educación, em Santiago do Chile, no período de 07 a 10 de novembro de 2011. ** Professora associada de História Antiga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Membro do Laboratório de História Antiga, do Sport: Laboratório de História do Esporte e do Lazer da UFRJ, e do Laboratório de Estudos sobre o Império Romano, que reúne pesquisadores de diversas instituições acadêmicas brasileiras.