Código e linguagem: articulações e construções do visível Luisa Paraguai 1 Resumo: Este texto procura contextualizar as linguagens de programação como elementos intrínsecos e norteadores no campo das artes e do design. Importa refletir sobre as produções artísticas e de designers sob a ótica das estruturas computacionais, na medida em que ao organizarem outputs dinâmicos repensam os modos de projetar. O designer-artista neste contexto coloca-se como um articulador de objetos computacionais, que modelam a relação humano/máquina e resultam em construções do sensível. No final, serão apresentados alguns trabalhos que atuam como agentes da relação entre linguagens computacionais e materialidades. Palavras-chave: Arte e tecnologia, estética computacional, código, linguagem, tecnologias de inscrição. Abstract: The paper is concerned with computational languages as intrinsic elements and guiding principles in the art and design field. It is important to think about the artistic and design productions from the perspective of the computational structure, since through the organization of dynamic outputs they reconfigure the projecting modes. An artist-designer on that context can be recognized as an articulator of computational objects that are able to conform the human/machine relationship and produce constructions of sensitive. At the end, some projects will be presented as they work as agents of computational languages and materialities. Key-words: Art and technology, computational aesthetic, code, language, inscription technologies. Introdução á Đultuƌa do softǁaƌe iŵpliĐa eŵ peƌfoƌŵaŶĐes diŶąŵiĐas ĐoŶstƌuídas eŵ teŵpo ƌeal. ;MáNOVICH, ϮϬϬϴ, p.ϭϳͿ Neste texto pretende-se explorar as relações entre representação e modos de produção, articulando modelos de tradução entre linguagens e visualidades. O ĐoŶĐeito de ŵetĄfoƌa ŵateƌial pƌoposto poƌ HaLJles ;ϮϬϬϮ, p.ϮϮͿ Đoŵo pƌoĐesso de tƌaduçĆo entre palavras e artefatos físicos, enfatiza a conexão entre modos de visualidades e linguagem computacional. Interessa neste texto focar alguns processos de produção e suas estruturas lógicas, embora reconhecendo que a atualização dos dados pela negociação – leitura, intervenção e significação dos mesmos, dependa dos leitores e seus referenciais. Para REAS, McWILLIAMS e BARENDSE (2010, p.11) o código tipicamente congrega três principais pƌopostas ĐoŵuŶiĐaçĆo, edžpliĐaçĆo ou ofusĐaŵeŶto, Ŷa ŵedida eŵ Ƌue as ƌegƌas eǀoĐaŵ conhecimento prévio e podem portanto gerar significados. Assim, compreende-se o código computacional coŵo tĠĐŶiĐas ĐoŶteŵpoƌąŶeas de ĐoŶtƌole, comunicação, representação, simulação, análise, tomada de decisão, memória, visão, escrita, e iŶteƌaçĆo ;MANOVICH, 2008, p.8). Para McWILLIAMS (2006) o software atua Đoŵo uŵa ĐoŶtíŶua conexão entre homem e máquina, sisteŵatizaŶdo ŵĠtodos e tĠĐŶiĐas de tƌaďalho, pƌĄtiĐas e processos de representação e expressão, enquanto apresentações do sensível. Assim, como todo processo de produção, podemos afirmar que o contexto digital conforma uma materialidade, que passa a fuŶĐioŶaƌ de foƌŵa iŶteƌpeŶetƌada, ŵediaŶte dispositiǀos tƌaŶsdutoƌes e de iŶteƌfaĐes adeƋuadas, possiďilitaŶdo a tƌaŶsduçĆo paƌa outƌos ŵeios ;PLá)á e TáVáRE“, ϭϵϵϴ, p.31). Também para Hayles (2002, p.23-24) o código computacional é compreendido como uma 1 Artista, pesquisadora e professora doutora no Mestrado em Design, Universidade Anhembi Morumbi, email:luisaparaguai@gmail.com.