1 CIÊNCIA, FAKE NEWS E PÓS-VERDADES: A PRODUÇÃO DE EFEITOS DE VERDADE EM TEMPOS DE PANDEMIA Alberto Lopo Montalvão Neto Doutorando em Educação Universidade Estadual de Campinas UNICAMP Gustavo Gomes Siqueira da Rocha Mestrando em Letras Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF José Pedro Simas Filho Mestre e Doutor em Educação Científica e Tecnológica Universidade Federal de Santa Catarina UFSC Renan Machado Licenciando em Ciências Biológicas Universidade Estadual de Campinas UNICAMP Resumo: No atual contexto vivencia-se, em âmbito mundial, um complexo momento de crise sanitária e político-social, que aflige diferentes camadas da sociedade. Agravando ainda mais o cenário, veiculam-se diariamente diversas notícias falaciosas que abordam distintos temas. Entre os campos que mais sofrem com a disseminação de notícias ludibriosas e desinformação está a Ciência. Considerando a crescente produção e disseminação de fake news na atualidade, o presente trabalho visa a refletir sobre a produção e circulação de notícias falsas no âmbito científico, contrapondo às disparidades e potencialidades ocasionadas pela web na construção de efeitos de verdade. Nesse contexto de realidade, analisamos uma fake news a respeito da COVID-19 que circulou recentemente na internet. Ademais, apontamos a potencialidade de algumas ferramentas para identificar notícias falsas. Nossas reflexões indicam uma possível dualidade relacionada a distintos efeitos de verdade. Palavras-chave: Fake news; Pós-verdade; Ciência; Web 2.0; COVID-19. 1 Introdução Não é nenhuma novidade a formulação e circulação de notícias falsas sobre diversos assuntos, de forma a ludibriar e/ou persuadir um determinado público. No entanto, os termos “fake news” e “pós-verdade” ganharam destaque nos últimos anos, principalmente após as conturbadas eleições presidenciais dos Estados Unidos no ano de 2016 (DELMAZO; VALENTE, 2018). São muitos os conceitos atribuídos ao termo fake news que circulam na sociedade. Sendo assim, o compreendemos como a formulação de notícias/afirmações falsas/enganosas, a partir de um design específico (GELFERT, 2018) que gera desinformação. Ou seja, essas notícias são formuladas a partir de algumas características marcadas, que ajudam a propagar informações deturpadas, de modo a manipular o pensamento de um público-alvo. Nesse sentido, “[...] não se trata apenas de uma informação pela metade ou mal apurada, mas de uma informação falsa intencionalmente divulgada, para atingir interesses de indivíduos ou grupos” (RECUERO; GRUZD, 2019, p. 32). XIV Congresso Internacional de Linguagem e Tecnologia