FRANKLIN JOAQUIM CASCAES: MEMÓRIA MANUSCRITA NA ARTE DE ESCREVER Anais do 13 Colóquios da Lusofonia e 5 Encontro Açoriano da Lusofonia Abril de 2010, Florianópolis, Santa Catarina ALINE CARMES KRÜGER 1 SANDRA MAKOWIECKY 2 Universidade do Estado de Santa Catarina RESUMO Franklin Joaquim Cascaes percorria de baleeira, canoa, cavalo, carreta, kombi ou mesmo a pé o interior da Ilha de Santa Catarina, numa época em que a maioria das comunidades sequer possuíam luz elétrica. Ao se deparar com uma realidade singular e bastante isolada do processo de desenvolvimento urbano Cascaes motivou-se pela necessidade de registrar o dia-a-dia dessas comunidades e não poupou esforços. Anotava em seus cadernos e folhas avulsas histórias, rezas, hábitos e costumes dos descendentes de açorianos que formavam as comunidades de pescadores e rendeiras do interior da ilha. Este artigo apresenta numa perspectiva teórico metodológica uma História da Cultura Escrita como salvaguarda de memória e afetos. As folhas manuscritas do artista encontram-se ainda inéditas, mas repletas de memórias de um povo, de um tempo e de um convívio social. Assim, pretende-se abordar a obra do artista Franklin Joaquim Cascaes em seu uso e modo de escrever. Encontramos seu acervo manuscrito constituído por Cadernos e Documentos em folhas avulsas. Estes manuscritos compõem-se de 124 cadernos escolares pequenos, 22 cadernos grandes e 476 manuscritos em folhas avulsas e/ou agrupadas numa quantidade máxima de 15 páginas. Sua obra adquiriu, com o passar dos tempos, um tom histórico e crítico na medida em que ele percebia que o cotidiano dessas populações, e o conhecimento popular via-se ameaçado pelas intensas transformações que se seguiam, correndo risco de não serem lembradas pelas futuras gerações. Esta coleção de manuscritos compõe juntamente com desenhos e esculturas a Coleção Professora Elizabeth Pavan Cascaes, pertencentes ao acervo do Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral da Universidade