75 PHoÎniX, rio de Janeiro, 20-2: 75-90, 2014. a tRaGÉdIa GREGa nO bRaSIl* 1 Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa ** Resumo: O ensaio busca lançar um olhar sobre a tragédia grega no Brasil de modo a descrever o teatro grego como uma combinação poderosa de corporifcação e palavra. Tentamos tornar mais consciente uma atualidade emocional e con- creta do drama grego. Também focalizamos alguns problemas de tradução. e fnalmente exortamos o leitor a se concentrar mais na performance que nas palavras sem empobrecer nem as palavras nem a performance. esperamos que este ensaio não encoraje ninguém a estabelecer uma competição entre a dimensão performativa e a dimensão verbal no contexto de produção de qualquer tragédia. Palavras-chave: Tragédia grega, performance; tradução. Sobre o tema que nos cabe – um panorama da tragédia grega no Brasil –, seremos modestos, acanhados e comedidos. É que o assunto – que conside- ramos de maior importância – nos parece meio absurdo e irrealizável para um apanhado de poucas páginas, sobretudo se confrontado com a possibi- lidade criativa continental do Brasil. Decepcionando, talvez, a alguns, evi- tando as situações delicadas e ásperas, limitamos nossa meta a um desejo de nos posicionarmos através da observação de uns poucos aspectos. O ponto de partida será um dossiê publicado em 2013 na Revista frag- mentum 2 da Universidade Federal de Santa Maria. O volume ganhou o nome de “A tragédia grega: tradução, encenação e crítica” e incluiu, de fato, estudos críticos, refexões sobre traduções textual e espetacular e, ain- * Recebido em 10/09/2014 e aceito em 24/10/2014. ** Professora associada da Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisadora do NEAM (Núcleo de Estudos Antigos e Medievais da FALE/ FAFICH-UFMG).