Questões Transversais – Revista de Epistemologias da Comunicação Vol. 7, nº 14, julho-dezembro/2019 Tecnologia como extensão da agência humana Technology as an extension of human agency Réplica de Ada Cristina Machado Silveira e Maurício de Souza Fanfa aos comentários de Tarcísio de Sá Cardoso É muito prazeroso participar do diálogo proposto no GT Epistemologia da Comunicação e acolhido por Ques- tões Transversais, podendo ler as questões postas pelo relato de Tarcísio de Sá Cardoso acerca de nosso texto. Tomamos a oportunidade como especial ao constatar que o relato privilegiou perguntas, tanto claras e concisas quanto pertinentes e provocativas. Lembramos do que Lucrécia D’Alessio Ferrara chama de uma epistemolo- gia indagativa dedicada à produção de conhecimento na Comunicação, que, “à revelia daquilo que se convencio- nou chamar científico, assume a indeterminação dos seus objetivos e, sobretudo, a indecisão das suas fronteiras” (Ferrara, 2016, p. 144). Nesse sentido, permitimo-nos responder ao relator da mesma maneira indagativa, uma vez que tal diálogo se propõe iniciar e fomentar um debate, não o encerrar. Dos pontos levantados, destacamos algumas compreensões e tateamentos possíveis, e não nos furtamos a apresentá-las apenas como outras questões para debates futuros. A Questão 1 ocupa-se da compreensão que os estudos da midiatização proporcionam sobre o mundo construído por, inclusive, tecnologias midiáticas. Acreditamos que a principal vantagem de compreender tais transformações como midiatização é buscar colocar as práticas midiáti- cas em articulação com condições e contextos maiores ou anteriores, assim evitando algumas armadilhas de mono- causalidade e ampliando nossa compreensão. Tal é a vantagem de trabalhar, como Stig Hjarvard (2014) sugere, com abordagens de nível meso – como é o caso da midiatização – capazes de costurar considera- ções micro e macro. São outros processos que tematizam a pesquisa social em geral: a industrialização, a globaliza- ção, o processo civilizatório, a colonização, a acumulação de capital, a financeirização, a individualização. A midia- tização seria um entre tais processos, social e historica- mente situados. As forças de moldagem são, nesse sentido, caracterís- ticas das tecnologias disponíveis para comunicação. Tais tecnologias também são construídas em suas próprias condições e contextos sociais e históricos. Precisamos nos perguntar, aqui, o que significa tecnológico, tecnolo- gia ou sociotécnico, como posto por Tarcísio na Questão 2, acerca de tais conceitos. A compreensão acerca do tema que mais nos agrada é a lançada por Bruno Latour em Pandora’s Hope (1999), Ada Cristina Machado Silveira https://orcid.org/0000-0002-7554-2248 ada.silveira@ufsm.br Professora Titular na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Integra o quadro permanente do PPG Comunicação. Colabora no Mestrado Profissional de Comunicação e Indústria Criativa da Uni- versidade Federal do Pampa (Unipampa). Pesquisadora do CNPq. Líder do grupo de pesquisa Comunicação, Identidades e Fron- teiras e do grupo de pesquisa Comunicação e Desenvolvimento Conectado. http://lattes.cnpq.br/0962895520743039 Maurício de Souza Fanfa https://orcid.org/0000-0003-2702-7652 mauriciofanfa@mail.ufsm.br Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação (POSCOM) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mes- tre em Comunicação (UFSM). Membro do grupo de pesquisa Comunicação, Identidades e Fronteiras e do grupo de pesquisa Comunicação e Desenvolvimento Conectado. http://lattes.cnpq.br/5335003848746015