A primeira parte deste livro considera que o mundo da arte sempre leva em paralelo um componente de autorrefexão. A ideia é trazer ao conhecimento do leitor, alguns textos de aproximação entre passado e presente, bem como expor modos de lidar com imagens. Neste sentido, comparecem cinco artigos apresentados em congressos, de 2010 a 2016. Cabe ressaltar que todos falam de arte, imagem, tempo e também arquivos, buscando compreender a fascinante realidade da ambiguidade visual. Os artigos tratam de lugares das imagens, arquivos e temporalidades diversas, as idades do mar em tema universal, os catarinenses Xavier das Conchas e Xavier dos Pássaros em uma pouco conhecida passagem entre os pesquisadores de história da arte no Brasil e um tema sempre presente: Arte e política. Em todos eles, prepondera um convite para “pensar por imagens”. (SM) pensatas sobre arte e tempo, imagem e arquivo Pensata e tocata são palavras latinas. Enquanto uma remete ao ato de pensar por escrito, a outra se associa ao ato de tocar instrumentos musicais. Em ambas predo- mina um propósito de pouco rigor temático e improvisa- ção. Algo semelhante ocorre com este livro, cujos afetos explicativos ligam as obras de arte às paixões por certas leituras, preferências por certos enfoques, posições pos- síveis em torno de certos desacordos e inquietações. O que conta é um princípio de plausibilidades que permite encrustar nos textos as percepções artísticas e sensibili- dades estéticas próprias de quem os elaborou. Distribuídos em duas partes, os capítulos que aqui com- parecem podem ser lidos e rearranjados em diferentes ordens, encontrando outras disposições, sendo que al- gumas formulações cabem como módulos explicativos para pensar outras obras. O desafo desta estrutura con- siste em não reduzir nem simplifcar, mas em ampliar o horizonte refexivo, compreendendo a possibilidade móvel da arte em relação ao tempo e da imagem em relação ao arquivo. O que surge é a ideia de que toda obra é dotada de um caráter de palíndromo temporal, confgurando-se num incessante vaivém entre passado e presente. Do mesmo modo, uma imagem nunca está só, pois sendo forma fora de lugar, só se dá a ver como montagem, o que leva ao problema do arquivo, não como uma arqui- tetura material, mas como um arsenal imagético inexten- so e incorpóreo constituído por um incalculável número de experiências humanas vividas e imaginadas. Sandra Makowiecky | Rosângela Cherem pensatas sobre arte e tempo, imagem e arquivo Esta segunda parte contempla imagens e leituras, surpresas e descobertas que fcaram borbulhando até eu encontrar outros pedacinhos e poder formar uma composição de problemas e assuntos, apresentados em eventos e publicados em anais dos mesmos. Não alterei nem acrescentei nada, pois fazer qualquer modifcação me levaria a outro raciocínio e escritura. No primeiro bloco abordei as distâncias e proximidades entre vida e obra. Acabei por compreender que ao historiador da arte cabe pensar a imparidade dos artistas, não para advogar um mero relativismo, mas para chegar o mais perto possível do cerne das inquietações contempladas na obra. No segundo considerei o enigmático poder da materialidade fgurativa e o que signifca olhar para isto. Em determinadas obras vi que certos aspectos apresentavam a mesma força avassaladora de um detalhe onírico. No terceiro, reuni textos sobre o arquivo. Num tempo em que tudo parece ser arquivável, desdobrando a invenção de Morel e o Aleph borgeano em possibilidades muito concretas e acessíveis, o que signifca para um artista transformar seu repertório e sua bagagem em obra de arte? (RC) ISBN: 978-85-5822-002-6