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MONUMENTOS NA AMÉRICA LATINA: ESTÁTUAS DE QUEM, PARA
QUEM E PARA QUÊ?
CRISTIÉLEN RIBEIRO MARQUES
RESUMO
Apesar de uma questão bastante antiga, o debate em torno de monumentos a
personagens históricos parecia ter ficado tão petrificado quanto as estátuas até
então erguidas. Seja porque algumas delas já nem são vistas ou mesmo
reconhecidas no palco das cidades, seja porque privilegiam narrativas de
opressores e os glorificam.
No século XXI, nesse jogo de encenação e produção de significados, para
combater esses discursos esculpidos, fundidos, vários grupos sociais partiram
para a decapitação e derrubada de tais “heróis monumentalizados”. A velocidade
com que as imagens desses atos foram distribuídas pelas redes digitais mundiais
geraram, parece, uma urgência para que cada sociedade olhe para suas
realidades e se coloque a questão: estátuas de quem, para quem e para quê?
A proposta deste ensaio é justamente retomar alguns casos na América Latina
como os encontros e desencontros das estátuas de Bolívar, Chávez, Colón e
Juana, e nessa dinâmica olhar para as feridas culturais, sociais, político-
econômicas ainda não cicatrizadas. Testemunhos de valor artístico e histórico
arquitetados por grupos das elites dominantes, sobre os quais cogita-se não
somente a sua substituição, pois a própria prática social está em xeque:
precisamos desse tipo de monumento?
Palavras-chave: Monumentos latino-americanos; Patrimônio cultural latino-
americano; Arte latino-americana.
Mestranda do Programa de Pós-graduação de Integração América Latina da Universidade de São Paulo,
PROLAM-USP. Este ensaio foi desenvolvido para a disciplina de Epistemologias Latino-americanas, em
julho de 2020, e adaptado para disponibilização online pela autora, em seu site: www.ecocircuitodearte.com,
publicado em setembro de 2020. Direitos reservados.