XIII Reunião de Antropologia do Mercosul 22 a 25 de Julho de 2019, Porto Alegre (RS) De los movimientos sociales a los movimientos culturales Victoria Irisarri (FSOC/UBA), Felipe José Comunello (UFRGS), Ruben George Oliven (UFRGS) A experiência musical de senegaleses e ganeses em contextos de mobilidade no sul do Brasil Kelvin Venturin 1 Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Kelvinventurin@gmail.com Conforme terminavam o seu Mafé, Soupe Kanja, Yassa, Thieboudienne ou, talvez, uma mistura de alguns desses pratos, as pessoas eram atraídas pelo toque dos tambores oriundo do segundo andar do restaurante. O grupo de músicos executava uma variedade de ritmos somados a performances de dança e canto na língua Wolof. Em determinado momento, um dos percussionistas parou de tocar e foi para o centro do palco, lá performatizou uma dança. Ao retornar, outro se levantou para dançar. Quando um terceiro integrante tomou o seu lugar, desta vez com um tambor em mãos, este passou a improvisar uma linha rítmica sobre o tecido percussivo fornecido pelos outros tambores. A paisagem sonoro-performática envolvia o ambiente e as pessoas que aí estavam. Eu não podia ficar parado. Diário de campo de 25 de maio de 2017. Entre 2010 e 2015 uma série de questões geopolíticas 2 atraíram imigrantes da África Ocidental, sobretudo senegaleses, mas também ganeses, nigerianos, beninenses, guineenses, marfinenses, togoleses e camaroneses para o Brasil (UEBEL, 2018, p. 367), principalmente para o sul e sudeste do país, em busca de emprego e melhores condições de vida para auxiliar os seus familiares que, na grande maioria dos casos, permanecem na África. Falar de pessoas em situação de deslocamento é também pensar nos objetos, práticas e sons que carregam consigo. Nesse sentido a prática musical em suas múltiplas derivações é um meio particularmente importante no exercício de um pertencimento, de trocas, manutenção de conexões com seu país natal além de potencializar perspectivas para o futuro e, dessa forma, assume um papel significativo dentro do fenômeno migratório. Minha pesquisa em etnomusicologia trata dos fazeres musicais de imigrantes senegaleses e ganeses no Rio Grande do Sul e o que eles podem nos dizer sobre a imigração africana para o sul do país em termos de construções identitárias, relações interculturais e violência simbólica. Busca, por meio da observação-participante em ensaios, shows e eventos culturais promovidos pelas Associações dos Senegaleses, compreender esse campo de