1 Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13 th Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2017, ISSN 2179-510X CORPOS EM (IN)CONFORMIDADE: AS AÇÕES POLÍTICAS FEMINISTAS NAS MOBILIZAÇÕES ESTUDANTIS Marcielly Cristina Moresco 1 Carolina Langnor 2 Resumo: Neste trabalho abordamos algumas das características dos agrupamentos feministas liderados por estudantes secundaristas e universitárias no interior de instituições de ensino da capital paranaense e região metropolitana. Essas estudantes – ativistas – produzem onde atuam o que Judith Butler sugere como um efeito de performatividade política. As pautas feministas emergentes nessas instituições extrapolam a instância do mero debate no espaço onde estão inseridas, promovendo a elaboração e a articulação de discursos sobre as relações entre corpo, espaço e violências resultando em modos outros de fazer a ação política. O ambiente educacional contemporâneo, sobretudo a escola, vem sendo modificado constantemente com a mobilização das/dos jovens estudantes em relação às políticas de identidades, igualdades e as construções sobre gênero e sexualidades. Se for o próprio espaço que motiva as ações políticas feministas, podemos também supor que é esse espaço que contribui para uma noção de performatividade política dos sujeitos enquanto corpos em ação que ali permanecem? Como o ambiente educacional, enquanto um espaço político, produz um modo particular da ação feminista? Por quais meios as pautas feministas promovem a transformação desses espaços e sujeitos? As manifestações organizadas por estudantes secundaristas e universitárias indicam o desejo de afirmação de um feminismo capaz de produzir efeitos transformadores nos modos de ação política para os espaços educacionais. Palavras-chave: feminismo. performatividade política. mobilização estudantil. Neste trabalho, são apresentadas as observações e as pesquisas das autoras em relação ao movimento de transformação das ações feministas das mobilizações estudantis – secundaristas 3 e universitárias. Parte-se do pressuposto, a partir das observações e pesquisas com estes agrupamentos, que o próprio espaço estudantil motiva as ações políticas feministas e contribui para uma noção de performatividade política dos sujeitos enquanto corpos que ali permanecem. O objetivo aqui é compreender como estes ambientes educacionais, também enquanto espaços políticos, produzem um modo particular da ação feminista e por quais meios as pautas feministas promovem a transformação desses espaços e sujeitos. Uma vez que as manifestações organizadas por estudantes secundaristas e universitárias indicam o desejo de afirmação de um feminismo capaz de produzir efeitos transformadores nos modos de ação política para os espaços 1 Doutoranda em Educação e Mestra em Comunicação pela Universidade Federal do Paraná. Curitiba/Brasil. E-mail: marciellymoresco@gmail.com. 2 Doutoranda e Mestra em Educação pela Universidade Federal do Paraná. Curitiba/Brasil. E-mail: carolinalangnor@hotmail.com. 3 Termo que engloba contemporaneamente estudantes do ensino fundamental II, médio, técnico e pré-vestibular.