3 Dossiê Temático sobre Choro Apresentação PEDRO DE MOURA ARAGÃO * Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Universidade de Aveiro m dos gêneros populares urbanos mais antigos do país ainda em plena atividade, o choro teve, nas últimas duas décadas, um forte crescimento nas universidades brasileiras, tanto no que concerne à prática instrumental associada a componentes curriculares quanto no âmbito de pesquisas acadêmicas. Este fenômeno é sem dúvida tributário de um movimento crescente de intérpretes, clubes do choro, rodas e escolas associadas ao gênero, tanto no país quanto no exterior. É cada vez mais comum encontrarmos, em diversas cidades do Brasil, jovens instrumentistas ligados ao choro que buscam o caminho universitário como forma de profissionalização o que faz com que o gênero se cristalize como uma das “vertentes” da música popular na universidade, ao lado de outros gêneros como a bossa-nova, o jazz o samba e o forró. Este processo de institucionalização é sem dúvida acompanhado de visões muitas vezes polarizadas entre aqueles que saúdam o acolhimento destes gêneros como símbolos de uma abertura da universidade brasileira para outras músicas para além da música de concerto e aqueles que criticam o que seria um processo de reificação e “congelamento” de práticas populares através dos currículos universitários. * Pedro de Moura Aragão possui Bacharelado em Regência pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002) e Mestrado em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005). Doutor em musicologia pela UNIRIO, é professor Adjunto nível 4 da mesma instituição. Sua tese de doutorado, O Baú do Animal: Alexandre Gonçalves Pinto e o Choro, foi contemplada com o Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música 2012 e com o Prêmio Silvio Romero 2011 (2a colocação). Desenvolve pesquisas na área de etnomusicologia, com ênfase na questão de arquivos de música popular urbana brasileira, tendo desenvolvido projetos de pesquisa em parceria com diversos instituições no Rio de Janeiro, como o Museu da Imagem e do Som e o Instituto Moreira Salles. Coordenador do projeto de extensão Escola Portátil de Música, referência do ensino do choro no Rio de Janeiro. Como bandolinista, tem grande atuação no mercado nacional, tendo atuado em shows e gravações com cantores como Roberto Silva, Cristina Buarque, Zélia Duncan, Mônica Salmaso, além de ter atuado como solista e intérprete em concertos na França, Bélgica, Dinamarca e Colômbia. E-mail: pmaragao@gmail.com U