85 FORMAÇÃO CONTINUADA EM EDUCAÇÃO MUSICAL PARA PROFESSORES: PRÁTICAS EXTENSIONISTAS E INVESTIGATIVAS Cristina Rolim Wolfenbüttel Este estudo apresenta resultados de ações empreendidas com professores da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre (RME-POA), a partir de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (SMED-POA) e a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS). As ações tiveram como foco a contribuição com a formação continuada em Educação Musical para professores que atuam na Educação Básica da RME-POA, oportunizando a participação dos mesmos nas atividades deste programa. Procurou, também, contribuir para a construção de planejamentos e implementações de projetos de música nas escolas desta rede de ensino. Deste modo, como objetivo geral, este projeto buscou a ampliação das ações de inserção da música na Educação Básica da RME-POA. Vale salientar que, no transcorrer das atividades, devido a uma série de fatores, dentre os quais podem ser mencionados motivos políticos, econômicos e sociais, este projeto que, inicialmente, pressupunha a realização de ações extensionistas de formação continuada para professores da RME-POA, acabou absorvendo, também, um viés investigativo, o que veio a enriquecê-lo ainda mais. Além disso, o planejamento inicial estava pautado na realização de encontros que tinham como objetivo discutir sobre metodologias para o ensino da música na escola, além das formas possíveis de avaliação para este ensino. Esclarece-se que não se deixou de tratar estes tópicos durante as atividades do projeto. No entanto, a partir das sugestões dos professores participantes, foi implementado um formato de trabalho baseado na partilha de suas experiências. Desse modo, em cada encontro, um ou mais professores apresentavam suas práticas de ensino, seus projetos e seus modos de trabalhar. Esse procedimento mostrou-se extremamente efcaz e produtivo, pois partiu das experiências e realidades de cada colega, contribuindo com o saber coletivo. Conforme Hargreaves (1998), é importante que as relações de trabalho entre os professores sejam colaborativas, espontâneas, voluntárias e que sejam orientadas para o desenvolvimento, difundidas no tempo e no espaço e, muitas vezes, imprevisíveis. Day (2001, p. 130) sustenta que nessas relações “os professores usam o seu juízo discricionário para iniciar tarefas ou para responder seletivamente às exigências externas”. Portanto, e de acordo com o autor, é importante salientar que, quando a colaboração é entendida como “um meio efcaz para o desenvolvimento do professor, ela vai ter impacto na qualidade das oportunidades de aprendizagem dos alunos e, assim, indireta ou diretamente, na sua motivação e desenvolvimento” (DAY, 2001, p. 131). Pinto (2009) reforça a importância da colaboração entre professores, argumentando que o apoio diante das difculdades é uma das funções do trabalho colaborativo, assim como o desenvolvimento da confança na capacidade individual, devido ao fortalecimento proporcionado pelo coletivo; assim as pessoas podem permitir-se vivenciar outras experiências e submeterem-se a outros olhares e, com isso, ter a oportunidade de crescimento pessoal e profssional (PINTO, 2009, p. 178). Com esse intuito, portanto, para o trabalho foi desenvolvido um conjunto de ações de formação continuada destinado aos professores da RME-POA, que possibilitou o aprendizado em música e a ampliação dos conhecimentos já existentes na área e, além disso, a realização de uma pesquisa que trouxe muitos elementos para a compreensão de como podem ocorrer os processos de ensino e aprendizagem entre os colegas professores.