Entre o capitalismo de Estado e o Behemoth: o Instituto de Pesquisa Social e o fenômeno do fascismo Gustavo J. T. Pedroso 1 Resumo: Segundo uma leitura bastante difundida, a Teoria Crítica desenvolvida no Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt sofreu uma mudança fundamental no início dos anos 40, mudança esta que teve como um de seus principais catalisadores a interpretação do nazismo por Friedrich Pollock. O presente artigo questiona alguns aspectos desta leitura com base em textos de Horkheimer e Adorno, e procura apontar algumas outras possibilidades. Palavras-chave: Teoria Crítica – nazismo – marxismo – capitalismo de Estado. “Ao contrário, o conhecimento se dá numa rede onde se entrelaçam prejuízos, intuições, inervações, autocorreções, antecipações e exageros, em poucas palavras, na experiência, que é densa, fundada, mas de modo algum transparente em todos os seus pontos” (Adorno, Minima moralia) Introdução Tentativas de discussão conjunta de obras de diferentes autores ligados ao Instituto de Pesquisa Social defrontam-se em primeiro lugar com um problema óbvio: afinal de contas, o que poderia justificar, 1 Doutor em Filosofia pela Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, sob a orientação do Prof. Dr. Ruy Fausto. E-mail: gtpedroso@gmail.com