Editora e-Publicar |Novos olhares sobre Turismo, Patrimônio e Cultura, Vol. 1 356 CAPÍTULO 23 PORTO PÓS-MARAVILHA: TEATRO, MÚSICA E POLÍTICA NO BOULEVARD OLÍMPICO DO RIO DE JANEIRO Victor Belart, Doutorando em Comunicação no PPGCOM da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Integrante do Laboratório de Comunicação, Arte e Cidade (CAC). Especialista em Jornalismo Cultural (UERJ) Anna Carolina Magalhães, Mestranda em Cultura e Territorialidades pela Universidade Federal Fluminense; Bacharel em Produção Cultural também pela UFF; é atualmente assistente de direção e integrante do núcleo da Companhia Ensaio Aberto trabalhando na produção e gestão do Armazém da Utopia RESUMO Mergulhamos a partir da história portuária carioca para pensar as práticas artísticas e culturais que se estabeleceram por aquele espaço nos últimos anos, especialmente diante do Boulevard Olímpico, que foi inaugurado em 2016. Considerando a região portuária do Rio um território que, para além de sua importância econômica no país, ditou também suas estratégias de controle da população, refletimos acerca de algumas potencialidades narrativas e subversões produzidas na região das docas entre 2016 e 2020. O trabalho acompanha cortejos musicais e blocos não oficiais que passaram a circular pela região, especialmente depois da derrubada do Elevado da Perimetral. Junto deles, investigamos a atividade do Armazém da Utopia, projeto que ocupa o armazém 6 e o anexo 5/6 desde 2010, sob a gestão de um grupo teatral, a Companhia Ensaio Aberto. Que hoje, divide a vizinhança com o AquaRio e a outras intervenções recentes na área. Em observação participante e a partir dos conceitos de táticas (CEARTEAU, 1994), o artigo propõe uma deriva por um Boulevard Olímpico de muitas faces e com potentes reinvenções no campo da cultura e política, através de uma memória em disputa e na produção de outras imagens possíveis de cidade. Palavras-Chave: Boulevard Olímpico; Cortejos; Armazém da Utopia; Orla Conde; Porto Maravilha INTRODUÇÃO Em setembro de 2013, uma notícia inusitada correu por alguns jornais cariocas e surpreendeu a população. Cerca de 10 enormes vigas de sustentação do antigo Viaduto da Perimetral tinham desaparecido. O fato inesperado marcava um processo gradual que transformava a estética daquela região do Rio. Depois de erguido entre os anos 1950 e 1960, a demolição do Elevado era uma das principais etapas das mudanças na zona portuária do Rio