PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA 238 HUMAN FLOW: ATRAVESSAR, CUSTE O QUE CUSTAR Human Flow: pass through whatever it takes Human Flow: atravesar, cueste lo que cueste Ricardo Lessa Filho Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). ricardolessafilho@hotmail.com Frederico Vieira Doutor pelo Programa Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Professor do Curso de Graduação em Relações Públicas (PUC-MG) frederico.vieira.souza@gmail.com Resumo Partindo do ensaio pouco conhecido de Hannah Arendt sobre os refugiados e das lapidações teóricas de Giorgio Agamben sobre o tema, como também da exposição sobre a hospitalidade de Jacques Derrida, o artigo propor-se-á a partir de Human Flow (2017), filme dirigido pelo artista e ativista chinês Ai Weiwei, exercer um olhar histórico, teórico e morfológico sobre as imagens registradas em diversos campos de refugiados, imagens que acabam por expelir ao nosso campo visual uma inconteste violência contra tantas vidas humanas, cujas “autoridades” dos países receptores destes imensos fluxos de pessoas deixam transparecer, ao mesmo tempo pela crueldade e indiferença, a enfermização de nossa condição humana e o aniquilamento de toda a ideia de hospitalidade ali mesmo onde a genealogia da Europa e do mundo é renegada de maneira absoluta quando se passa a perceber o refugiado não mais como um estrangeiro, senão como um inimigo, como um ser hostil. Palavras-chave: Human flow. Refugiados. Hospitalidade. Abstract Starting from the little-known essay by Hannah Arendt on refugees and the theoretical improvements by Giorgio Agamben on the subject, as well as the exposition on the hospitality by Jacques Derrida, the article will propose from Human Flow (2017), film directed by Chinese artist and activist Ai Weiwei, exercise a historical, theoretical and morphological point of view on the images recorded in various refugee camps, images that end up expelling to our visual field an uncontested violence against so many human lives and whose "authorities" of the host countries of these immense flows of people reveals, at the same time, by the cruelty and indifference, the infirmity of our human condition and the annihilation of the whole idea of hospitality - there where the genealogy of Europe and of the world is absolutely denied when it comes to perceiving the refugee no longer as a Foreigner, but as an enemy, as a hostile being. Keywords: Human flow. Refugees. Hospitality.