311 a e Arte & Ensaios Arte e Ensaios vol. 26, n. 40, jul./dez. 2020 0000-0002-2986-1600 * Professora do Depto. de Sociologia da UFRJ (IFCS/UFRJ). Coordena o GRUA – Grupo de Reconhecimento de Universos Artísticos/ Audiovisuais: http://www. grua.art.br (CNPq). PPGAV/EBA/UFRJ Rio de Janeiro, Brasil ISSN: 2448-3338 DOI: 10.37235/ae.n40.21 DOSSIÊ ARTE E DISTOPIA Arte e distopia: memórias futuras, entranhas e fissuras Art and dystopia: future memories, entrails and fissures Eliska Altmann * eliskaaltmann@gmail.com 0000-0003-3308-9382 Felipe Scovino ** felipescovino@yahoo.com.br 0000-0003-1726-2018 Sabrina Parracho Sant’Anna *** saparracho@gmail.com ** Professor associado do Departamento de História e Teoria da Arte e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, ambos da UFRJ. É coeditor de Arte e Ensaios *** Mestre e doutora em Sociologia pelo PPGSA/ UFRJ, é professora associada da UFRRJ. Coordena o Comitê de Pesquisa em Sociologia da Arte na SBS e é autora de Construindo a memória do Futuro: uma análise da fundação do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A distopia é aqui. Ontem hoje amanhã e depois. Talvez por isso, ao referir-se a outros flósofos, Adauto Novaes (2015; 2016) afrma que o ser humano é um animal utópico, uma vez que “as utopias são para as comunidades aquilo que os sonhos são para os indivíduos”. Preci- samos de imaginações utópicas para não sucumbir, para não afundarmos no poço das cruas opressões e autoritarismos, das coerções e violências desnudas, do fm das empatias e esferas de diálogo, da exaltação de anomias, pandemias e fascismos. Precisamos devir-quimeras, renascer-fênix... Como uma legião de São Jorges, precisamos de espadas para enfar nas gargantas dos dragões de cada instante, que insistem em nos carregar para os infernos e suas alegorias. Com palavras-espadas, tomamos a ideia de distopia como tema do dossiê, que tem como proposta identifcar, a partir de reflexões sobre a produção de bens de cultura, como o termo, próprio aos nossos tempos, pode ser lido em formas artísticas, literárias, imagéticas, poéticas e políticas. Notadamente, a temática não é nova nos campos das artes, da literatura, do cinema, da música, das cidades. Verifcam-se, assim, modos pelos quais distopias se constituem como meios para a realização de obras bem como para análises de movimentos artísticos e sociais. Para tanto, serão enfatizadas visões sociocríticas a pressuporem que elementos distópicos se encontram em obras, mas podem ser igualmente