PORTUGUÊS BRASILEIRO ENTRE POPULAÇÕES KARIPUNA DO OIAPOQUE-AP promoção linguística, escola e sala de aula de língua indígena Maria Sônia Aniká Janina dos Santos Forte Antonio Almir Silva Gomes 1 INTRODUÇÃO A região do município de Oiapoque, localizada ao extremo norte do Brasil, estado do Amapá, é bastante diversifcada do ponto de vista linguístico. Trata-se de uma região multilíngue que, por exemplo, caracteriza o estado do Amapá como único da federação a fazer fronteira com um país francófono, a Guiana Francesa. Assim sendo, inclui-se ao Português Brasileiro (PB) falado naquela região a língua francesa. Para além destas duas línguas indo-europeias, encontram-se as línguas faladas por populações indígenas da região, mais precisamente as línguas Palikur (Aruák) e Kheuol 1 ; o que nos dá um total mínimo de quatro línguas em uso. Kheuol é a língua falada em diferentes graus de profciência pelas populações das duas comunidades Karipuna sobre as quais nos referimos: Espírito Santo e Manga, além de falada também pela população Galibi-Marworno. Em termos genéticos, essa língua é, segundo Moore, Galucio e Gabas Jr (2008, p. 1), “... grandemente infuenciada pelo crioulo baseado no Francês da Guiana Francesa” 2 . Tal língua, contudo, tem cedido espaço ao PB, que desfruta cada vez mais de prestígio, tornando-se a língua da escola atual, do contato para diversos fns com a população do Oiapoque, das instituições públicas; a língua através da qual as juventudes indígenas Karipuna se comunicam com os não-indígenas pelas redes sociais, através da qual interagem com a sociedade e com as leis do país que dizem respeito, inclusive, aos próprios indígenas. 1 Não estamos considerando aqui os diferentes tipos de línguas crioulas faladas por outras diferentes populações que também estabelecem contato socioeconômico e linguístico permanente na região, o que elevaria nossa conta acerca do multilinguismo regional. 2 O contexto da língua Kheuol é tomado como particular aos povos indígenas que a utilizam, de modo que entre os povos Karipuna e Galibi-Marworno convencionou-se nomeá-la respectivamente como Kheuol Karipuna e Kheuól Galibi-Marworno, assim mesmo, com acento no primeiro caso, e sem acento no segundo caso. A consideração a estes aspectos convencionados entre os dois povos é o que justifca a presença do termo Kheuol Karipuna ao longo deste capítulo. Se, por outro lado, estivéssemos nos referindo aos Galibi-Marworno, teríamos o termo Kheuól Galibi-Marworno.