1 Alterações climáticas. Divulgação e Opinião Carmen Diego Gonçalves e Orfeu Bertolami Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais, Universidade da Madeira (CIERL-UMa) Departamento de Física e Astronomia, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (DFA,FCUP) Segundo o “Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas” (da sigla em inglês IPCC), mudança climática é uma variação a longo prazo, estatisticamente significativa, num parâmetro climático médio, como temperatura, precipitação ou ventos, ou na sua variabilidade, durante um período que pode durar de décadas a milhões de anos. A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a mudança de Clima (CQNUMC) faz uma distinção entre a variabilidade climática atribuída a causas naturais inerentes ao sistema planetário da Terra - que concorrem para mudanças climáticas (escurecimento global; recuo dos glaciares desde 1850; ciclo solar, variação orbital; impacto de meteoritos; deriva dos continentes e movimentação de placas tectónicas; movimentos orogenéticos de formação de montanhas; mudanças de temperatura nas água nos oceanos; variação de intensidade dos ventos alísios; vulcanismo) - e a mudança climática devida à atividade humana alterando a composição da atmosfera caracterizada pelo aumento inequívoco e continuado da temperatura média do sistema climático da Terra - o denominado aquecimento global, não dissociado da elevada concentração de gases de efeito de estufa. Assim, a CQNUMC, define alterações climáticas como uma mudança do clima, de causa antropogénica, que altera a composição da atmosfera e que associada à variabilidade natural do clima é observada por longos períodos de tempo, potenciando os efeitos decorrentes dessa mesma variabilidade. A elevação da concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera decorrentes de actividades humanas, desencadeia reações à escala planetária, retendo calor e modificando virtualmente todos os sistemas físicos, químicos e biológicos da Terra incluindo o clima. As reações químicas são aceleradas com a elevação das temperaturas. Os gases de efeito de estufa do ar impregnam os oceanos e acentuam sua acidez, além de contribuírem para uma maior desoxigenação. O aumento da temperatura interfere no ciclo das chuvas e na quantidade de água a que temos acesso; faz os gelos derreterem modificando ecossistemas e reduzindo o albedo (ou coeficiente de reflexão) terrestre; faz o oceano aquecer e aumentar de volume; altera as correntes marinhas e a estratificação da coluna de água; derrete os solos congelados; aumenta o nível de humidade no ar e reduz a humidade do solo; modifica balanços energéticos e ciclos bioquímicos; intensifica tempestades e desastres ambientais, e introduz uma infinita série de outras modificações nos sistemas da Terra, que reagem entre si amplificando os efeitos e desencadeando novas causas. Mudanças progressivas no ambiente físico introduzem, assim, desequilíbrios progressivos na biologia e na relação entre as espécies, o que se reproduz em cascata na Terra 1 . Se as mudanças continuarem a ser tão rápidas como as que estão a acontecer, e se essas mudanças se aprofundarem significativamente, como está previsto por cientistas: algumas cidades costeiras poderão ficar inundadas; algumas zonas com chuva e queda de neve abundantes poderão tornar-se mais quentes e secas; os leitos de alguns rios e lagos poderão secar; o número de secas poderá aumentar, prejudicando as colheitas; as reservas de água potável para consumo, higiene, agricultura e produção de alimentos poderão diminuir; poderá ocorrer a extinção de muitas espécies animais e vegetais; certos fenómenos climáticos extremos, como furacões, tornados e outras tempestades, que sejam causados por alterações na temperatura e no mecanismo de evaporação da água, poderão tornar-se mais frequentes. 1 Johan Rockström, diretor do instituto Potsdam de Pesquisa sobre o impacte climático, in Expresso, 31/12/2020, dizia: Em janeiro de 2021 teremos um G3 no clima: a Europa, os EUA e a China, os três maiores blocos económicos mundiais, comprometidos a atingir a neutralidade de emissões" (...) " até agora a UE estava sozinha a liderar o campo das alterações climáticas" (...) "está na hora de dar atenção aos limites planetários" (...) "a covid-19 surge de um vírus associado à excessiva exploração de ecossistemas" (...) "mas não é utopia pensar que podemos resolver isto e salvar o planeta. Basta fazer algumas alterações ao atual sistema económico".