233 EM CONSTRUÇÃO... E DESCONSTRUÇÃO: DISCURSOS E REPRESENTAÇÕES PRESENTES NOS JORNAIS O ESTADO DE S. PAULO E O GLOBO DURANTE O GOVERNO CASTELO BRANCO FERNANDO MIRAMONTES FORATTINI 1 Resumo: Pretendemos, com este artigo, desmistificar, brevemente, o governo Castelo Branco e sua relação com os jornais O Estado de S. Paulo (OESP) e O Globo (OG). Para este artigo focaremos na tentativa de ambos os jornais em buscar legitimar o golpe militar e silenciar assuntos que o desabo- naria como Atos Institucionais, Inquéritos Policiais Militares (IPMs) e casos de tortura. Para isso, uti- lizar-se-á os discursos e representações destes jornais como instrumentos para a dissecação destes temas, bem como da própria fonte em si: como lidavam com sua retórica liberal em um governo au- toritário; quais foram as trajetórias empreendidas por ambos os jornais em seus apoios e suas críti- cas; quais as mudanças de posições e seus motivos; e como, sendo a mídia um importante fator na decisão da agenda político-econômica e na formação de opiniões, buscavam influenciar as ações do governo ou de parte da sociedade civil. Palavras-chave: ditadura; mídia; memória; discurso; representações. Os jornais, suas convicções e influência no golpe de 1964 Trata-se do mais tradicional e tradicionalista jornal de nossas fontes e um dos mais influentes jornais desde sua concepçao ate hoje, um jornal sui gene- ris em relaçao aos outros jornais brasileiros. E tido, tanto por seus leitores, quanto por seus reformuladores, como Claudio Abramo e Augusto Nunes, como “pesada o”, oliga rquico e sem apelo popular (FORATTINI, 2018: 53). Basta notar que ao longo de quase toda sua histo ria o jornal trazia em sua capa notícias internacio- nais. Seus editoriais residem, ate hoje, na pa gina 3 e sa o longos, de linguagem rebus- cada, afastando-se do leitor comum e focando nos formadores de opinia o. 1 Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História da PUC-SP. Orientadora: Prof.ª Dra. Carla Reis Longhi.