1 PREÇOS DE BOIS, DE CAVALOS E DE ESCRAVOS EM PORTO ALEGRE E EM SABARÁ NO SÉCULO XIX – MERCADORIAS DE UM MERCADO NACIONAL EM FORMAÇÃO Luiz Paulo Ferreira Nogueról 1 Resumo: Este artigo pretende contribuir para a compreensão da economia brasileira no século XIX por meio do estudo dos preços de bois, cavalos e escravos praticados em duas comarcas brasileiras: Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e Sabará, em Minas Gerais. Tal estudo permitiu fazer comparações entre as estruturas produtivas das mencionadas comarcas enfocando a especialização produtiva de cada qual e a inserção que tinham no nascente mercado nacional brasileiro. Palavras-Chave: Produção Escravista, Mercado Nacional, Economia Brasileira no Século XIX Introdução A economia brasileira no século XX caracterizou-se, dentre outras coisas, pela integração inter-regional, entendida como a criação de interdependências que conformam um determinado mercado interno e nacional, um e outro tomados normalmente como sinônimos. Neste artigo buscamos, a partir de dados coletados para dissertação de mestrado e tese de doutorado, apontar para as raízes da formação do mercado nacional brasileiro no século XIX. Escolhemos, para tanto, as comarcas de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, em Minas Gerais, e a de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A escolha destas comarcas, distantes uma da outra em mais de 1500 Km, serviu ao seguinte: considerando que a integração tenderia a ser minimizada com o aumento da distância entre economias regionalmente autônomas, o uso de dados de regiões relativamente próximas poderia induzir ao equívoco de se tomar a integração das 1 Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Gostaria de agradecer à Capes e à FAPESP pelas bolsas, respectivamente, de mestrado e de doutorado. Este artigo se beneficiou da dissertação de mestrado defendida pelo autor em 1997 no CEDEPLAR – FACE - UFMG e da tese de doutorado defendida em 2003 no Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas. Quero agradecer aos professores doutores João Antônio de Paula, Luiz Felipe de Alencastro e José Jóbson de Andrade Arruda, meus orientadores nos programas de pós-graduação em Belo Horizonte e em Campinas, pela paciência e boa vontade que tiveram comigo.