GUERRA * Eduardo Mei Introdução GUERRA É O CONFRONTO VIOLENTO ENTRE GRUPOS politicamente organizados. Na medida em que envolve vontades que estabelecem entre si relações conflitivas ou consensuais, competitivas ou cooperativas, a guerra é um fenômeno intrinsecamente político e, como todo fenômeno histórico- social, a sua compreensão está sujeita à perspectiva do observador. Con- tudo, devido a um vício positivista ainda renitente, uma tendência hipos- tasiante pode dissimular-se nas linhas dos verbetes. Por coação ou con- formismo, essa tendência taxativa predomina mesmo perante o caráter polissêmico de alguns fenômenos, como é o caso da “guerra”. Conforme registrou Norberto Bobbio, diz-se a guerra de muitas maneiras, podendo considerar-se que ela é a antítese da paz (não-paz), em sentido estrito, ou também que ambas são situações extremas que comportam uma infi- nita variedade de casos intermediários, tais como armistício, trégua, guerra fria. (BOBBIO, 1989) Além disso, a palavra guerra é corriqueira- mente associada a um sem número de outras, como nas expressões “guerra econômica”, “guerra dos sexos”, “guerra de preços”. A guerra é relativa a perspectiva do observador: punição divina, luta pela liberdade, carnificina, missão, o momento oportuno para a conquista da glória ou a ocasião do lucro para os oportunistas. Recomenda-se, portanto, não des- curar das várias acepções em que a guerra é considerada e, em particu- lar, dos sentidos descritivo, normativo, prescritivo, axiológico e mesmo estético. Não obstante, para elidir o vício mencionado, não basta indicar a polissemia contida no verbete. Faz-se necessário registrar o caráter * Verbete publicado em Saint-Pierre, Héctor L. e Vitelli, Marina G. (orgs.) – Dicionário de segurança e defesa [recurso eletrônico]. São Paulo: Editora Unesp Digital, 2018. Coinforme à paginação original.