72 Luso-Brazilian Review 49:2 ISSN 0024-7413, © 2012 by the Board of Regents of the University of Wisconsin System The Word as Object Concrete Poetry, Ideogram, and the Materialization of Language Pedro Erber O artigo discute a relação entre discurso verbal e discurso visual a partir do legado da poesia concreta e neoconcreta dos anos 1950 e de sua teorização pelos poetas Haroldo de Campos, Ferreira Gullar e Kitasono Katsue. A pre- sença da palavra escrita nas artes visuais dos anos 1960 foi frequentemente interpretada em termos da noção de “desmaterialização do objeto de arte,” elaborada pelos críticos de arte Lucy Lippard e John Chandler. No entanto, ao passo que a ideia de desmaterialização descreve bem o processo que se observa na obra de artistas conceituais como o norte-americano Joseph Kosuth, este artigo argumenta que a mesma noção não dá conta do uso da palavra escrita na obra de artistas neoconcretos, tais como Hélio Oiticica. No neoconcretismo, e em grande parte da produção artística dos anos 1960, está em jogo antes o processo inverso, de materialização da linguagem no objeto de arte. No cerne desta discussão, o artigo aponta e explora a ideali- zação da escrita ideogramática sino-japonesa por Haroldo de Campos, sua elaboração em método de composição poética e a contrapartida do concre- tismo na obra do poeta japonês Kitasono Katsue. O leitor – se é que ainda podemos designá-lo por este nome – desceria por uma escada, abriria a porta do poema e entraria nele. Ao centro da sala, iluminada com luz fuorescente, encontraria um cubo vermelho de 50 cm de lado, que ergueria para encontrar, sob ele, um cubo verde de 30 cm de lado; sob este cubo, descobriria, ao erguê-lo, outro cubo, bem menor, de 10 cm de lado. Na face deste cubo que estaria voltada para o chão, ele leria, ao levantá-lo, a palavra rejuvenesça.