Revista Políticas Públicas & Cidades – ISSN: 2359 -1552 Boletim Semanal: Cidade e Pandemia Volume Especial, Abril/Maio, 2021. 1 Ensaio A pandemia da COVID-19: Gênero e idade Aline Midori Susuki André Silva Olak Mariana Ragassi Urbano Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina/PR, Brasil. E-mail: alinemidori.arq@uel.br Objetivo: Em decorrência do cenário atual atrelado à situação pandêmica da COVID-19, objetiva-se fomentar as discussões acerca do perfil dos casos positivados e óbitos, por meio da ótica do gênero e de diferentes faixas etárias. Para o desenvolvimento do tema, foi selecionada a cidade de Londrina, no Estado do Paraná, a fim de estreitar as reflexões levantadas neste estudo. O entendimento sobre os aspectos que possam agravar a doença é visto neste trabalho como a força motriz que rege pesquisas cada vez mais precisas. Palavras-chaves: COVID-19. Gênero. Faixa etária. Desigualdade. Londrina. Enfretamento da COVID-19 no contexto brasileiro Muitas disparidades sociais foram intensamente expostas no decorrer da pandemia de COVID-19, um verdadeiro palco cuja atração principal foi o reforço das desigualdades estruturais já existentes no Brasil. Tratando-se de um episódio ainda inconclusivo, medidas de enfrentamento, como distanciamento social, foram adotadas em escala mundial, a fim de conter o alastramento do vírus. A implementação dessas medidas é vista como descabida frente às camadas sociais mais vulneráveis, sendo estas as mais acometidas pelas consequências da doença no que tange os aspectos socioeconômicos. O termo midiático “fique em casa” atribuído no início da pandemia foi substituído pelo “ganhar o pão de cada dia” fora de casa, levando em consideração que muitas pessoas ficam expostas diariamente às lotações dos transportes públicos, trabalhos informais precários e escassez das condições mínimas de vida. O Brasil, em meados do mês de junho, assumiu a segunda posição dentre os países com maiores casos confirmados e percentual elevado de óbitos por COVID-19, e permaneceu nesta colocação por aproximadamente três meses até que a Índia ocupasse essa classificação. Apesar do sensível rebaixo no quantitativo de casos brasileiros, é preocupante a situação do país pois existe um cenário instável por detrás das flexibilizações das ações governamentais e ausência de coordenação social. Outro aspecto instigante da COVID-19 está pautado na subnotificação dos casos assintomáticos, pois a falta de sintomas, neste caso, inibe a identificação da doença, promovendo relaxamentos das medidas preventivas por parte da população e democratiza com mais vigor a proliferação do vírus. Além das profusões de conflitos e discussões muito amplas geradas no atual contexto pandêmico, as análises acerca da caracterização dos casos, avante ao espectro socioeconômico, se tornam necessárias para a visualização da dinâmica da doença ao longo do tempo. De modo a aferir com maior precisão o perfil dos casos confirmados de COVID-19 entre abril e novembro de 2020, o estudo foi feito com os dados por idade, gênero e bairro fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, e o projeto foi aprovado pelo comitê de ética sob nº 36044520.5.0000.5231. Esse é um trabalho do Núcleo Interdisciplinar de Gestão Pública (NIGEP - UEL), que vem sendo realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, com objetivo de acompanhar a evolução da COVID-19 na cidade.