ARTIGOS | 41 MISTURAS NAS IMAGENS: ALGUMAS PROPOSTAS DE (DES)ARRUMAÇÃO MISTURAS NAS IMAGENS: ALGUMAS PROPOSTAS DE (DES)ARRUMAÇÃO ISABEL CALADO ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DE COIMBRA/CENTRO DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES DO SÉCULO XX DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA – CEIS20 Resumo A vastidão do conceito de imagem pede que se constitua para ele um inventário de aceções e apelidos. O presente texto centra-se na “imagem material”, em parte porque se assume como complementar de um outro onde a questão da materialidade havia já sido problematizada, embora numa perspetiva diversa 1 . São equacionadas algumas dicotomias, designadamente aquela que tende a separar as imagens cerceadas pela ideia de uma eficácia controlada e as imagens abertas a um campo de eficiência dispersivo. Em todas se deteta a marca do poder: qualquer imagem exerce uma influência e nenhuma é inócua. Quando falamos em estatutos das imagens implicamos nisto dois aspetos: o do lugar que ocupam no quadro de uma categorização formal, mas também o dos poderes mais ou menos institucionalizados que vão adquirindo e através dos quais deixam marcas nos corpos individuais e coletivos. Palavras-chave Imagem; imagem material; representação; imagem estética; perceção; imagem mental; eficácia; eficiência. 1. Pressupostos de um inventário crítico de conceitos Se queremos perguntar o que faz a imagem, que efeitos produz (sobre quê e sobre quem) e como o faz, é talvez prioritário esclarecer o próprio conceito de imagem. Nem tanto para circunscrevê-lo (a sua tendência expansiva torna difícil e talvez inútil essa ambição), mas essencialmente para metodologicamente constatarmos a multidimensionalidade do vocábulo. Um uso criterioso dos termos e a discussão sobre o seu significado são terrenos férteis para pensar qualquer objeto de estudo. Porquê, por exemplo, usamos o termo “técnica” numas circunstâncias e, noutras, “tecnologia”? Por que falamos em “meios”, reservando para outros discursos as “ferramentas”? Porquê “suportes” e nem sempre “interfaces” ou “sujeitos interfaciados” a ocupar paulatinamente o lugar dos “sujeitos aparelhados”? (cf. 1 CALADO, Isabel (2010) – A imagem sob o signo da fabricação: materialidade e técnicas na modelação da arte e da cultura. Estudos do Século XX, 10, Coimbra: Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra. p.147- 165.ISSN 1645-3530.