Revista Estudos Feministas, Florianópolis, 26(3): e58612 1 Susana Bornéo Funck 1 1 Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil Cristina Scheibe Wolff 1 1 Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil Feminismos em tempos incer eminismos em tempos incer eminismos em tempos incer eminismos em tempos incer eminismos em tempos incertos tos tos tos tos http://dx.doi.org/10.1590/1806-9584-2018v26n358612 Esta obra está sob licença Creative Commons. Seção Especial Seção Especial Seção Especial Seção Especial Seção Especial É inegável que o mundo – pelo menos o mundo que nos é dado a conhecer – vem atravessando um período de incertezas e contradições, em que muitas das conquistas políticas das mulheres, especialmente as da segunda metade do século XX, estão sendo questionadas conforme o clima político e religioso em muitas culturas se revela cada vez mais conservador. Mesmo assim, muitos são os pontos positivos em relação à luta das mulheres. Mais do que nunca, grupos de jovens ativistas, incentivadas pelas redes sociais, disseminam ideias e promovem campanhas de empoderamento por meio de blogs e páginas pessoais. Uma rápida pesquisa na Internet revela números significativos. Na busca por “blogs feministas”, são obtidos 4.030.000 resultados. Se a busca for em inglês (“feminist blogs”), o número sobe para 15.900.000. Entre os 20 mais importantes, segundo a página do Feedspot (2018), encontram-se o Feministing, com postagens sobre questões interseccionais como violência sexual, direitos de indivíduos transgênero e justiça reprodutiva, o Gender Matters, blog indiano dedicado ao empoderamento e à garantia dos direitos fundamentais de mulheres e meninas, e o MsAfropolitan, que conecta o feminismo a reflexões críticas sobre cultura, sociedade e política numa perspectiva centrada na África. São apenas três breves exemplos da imensa variedade de ativismos feministas. Dignas de nota são também as campanhas contra a violência e o assédio sexual e moral, como os movimentos #Me too e Time’s up, originados nos Estados Unidos, e, aqui no Brasil, a luta contra o assédio nas ruas, no transporte público e no trabalho, cujo exemplo mais recente é o #DeixaElaTrabalhar, das jornalistas de esportes. Somam-se ainda a essas lutas o grande destaque que os ativismos negro e LGBTI+ vêm conquistando na academia e nos movimentos sociais, e a interseccionalidade como pauta das agendas feministas contemporâneas. Na política, embora Pedro Sánchez, na Espanha, tenha nomeado mulheres para oito de seus dez ministérios e os ministérios de Justin Trudeau, no Canadá, e de Emmanuel Macron, na França, ambos com 50% dos cargos ocupados por mulheres, tenham conquistado as manchetes dos veículos de comunicação, dados recentes revelam que