A INFÂNCIA (DES) PROTEGIDA: CRIANÇAS QUE SOFREM VIOLÊNCIA DE GÊNERO Ms. Debora Rickli Fiuza doutoranda do programa de pós-graduação Interdisciplinar em Desenvolvimento Comunitário- Universidade Estadual do Centro Oeste- UNICENTRO debora_rickli@yahoo.com.br Dra. Luciana Klanovicz docente do programa de pós-graduação Interdisciplinar em Desenvolvimento Comunitário- Universidade Estadual do Centro Oeste- UNICENTRO lucianarfk@gmail.com Simpósio Principal: Gênero em debate: desafios para a prática historiográfica contemporânea. (GT Paraná) RESUMO Infância, lugar para se olhar com cuidado e intenção. Na história da civilização, a criança já ocupou tantas funções, com significados diferenciados. A criança já foi considerada um adulto em miniatura, recusando a diferenciação marcante entre a vida adulta e a vida infantil. Ocupou, também, um lugar de idealização e prestígio, uma realidade muito particular construída para a infância, porém, projetada pelos adultos. Compreendemos, então, que a infância é historicamente construída, tal como aponta Ariés (1986) onde as relações entre crianças e adultos também vão sendo historicamente produzidas, inclusive, impondo relações de proteção e de desproteção. Nas palavras do autor, “a separação da infância do mundo dos adultos permitiu criar medidas de proteção que garantiram condições sem precedentes de defesa e de segurança das crianças” (ARIÉS, 1986). A ideia de uma infância feliz e perfeita foi também produzida, cristalizando uma única possibilidade de ser criança, ou seja, àquela protegida no seio de sua família. A realidade de muitas crianças, no entanto, rompe com tal discurso e, portanto, exige um olhar atento à questão da violência infantil. Estudos apontam que o ambiente intrafamiliar é o principal contexto de perpetração da violência contra crianças, com isso, há ressalvas quanto aos espaços de proteção e desproteção, conforme aponta Aries (1986) há espaços de relações abusivas vivenciadas por crianças, ainda durante suas infâncias e dentro de contextos conhecidos. Diante disso, esse trabalho busca analisar a violência infantil articulado com os estudos de gênero, considerando que algumas expressões da violência, embora muito precocemente, denunciam a presença da violência de gênero, existente na vida de muitas meninas durante sua infância. Esse estudo integra a pesquisa de doutorado, desenvolvida pelo programa de pós-graduação interdisciplinar em desenvolvimento comunitário, da Universidade Estadual do Centro Oeste-Unicentro. Assim, procura-se sistematizar e compreender as diferentes vozes que circulam e que produzem este complexo fenômeno da violência infantil. Palavra-chave: Infância; Violência Infantil; Gênero.