XVIII Conferência Brasileira de Folkcomunicação Recife-PE, 02 a 05 de maio de 2017 – UFRPE/FACIPE Encantar para inventar e desencantar para subverter: Confrontações em Tica, Rainha do Reisado Santo Heleno de Juazeiro do Norte Ribamar José de Oliveira Junior 1 Leda Mendes Pinheiro 2 Resumo O presente trabalho procura contemplar reflexões obtidas pela pesquisa em andamento, nos eixos de cultura popular e gênero e sexualidades, sobre a história de Francisca da Silva, brincante no figural de Rainha e/ou Princesa do Reisado Santo Heleno do Mestre Dedé de Juazeiro do Norte. Ao considerarmos as contribuições teóricas da filósofa Judith Butler como articuladoras do conceito de performatividade, corpo e linguagem, como também as de Oswald Barroso sobre o Reisado, faz-se possível perceber os processos que envolvem a produção de subjetividade do corpo na tradição regional. Por fim, para pensar como o grupo de brincantes, em especial Tica, nas apresentações ao imitar cenicamente os atos do mestre pode construir arrolamentos com o ato de perfomar, em uma sequência de atos, subversões performativas. Tica se mudou, mas continua a trabalhar com reciclagem e na construção da sua casa de três vãos. A frente da casa ainda é azul e o número, antes 18, passou a ser 20. O novo endereço é no Parque das Timbaúbas, na cidade de Juazeiro do Norte, interior do Ceará. Ela mora no final da rua, uma ladeira de pedra que desemboca em um aterro, segundo ela, a prefeitura está preparando para continuar a abrir a rua. No quinto encontro com a brincante do grupo Santo Heleno, ela diz que às vezes tem vergonha de nos receber em sua casa, mas ainda assim, não deixa de passar pelo menos um batom. Dessa vez, fomos com câmeras do Laboratório de Telejornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Apesar de já termos gravado com câmeras de lentes DSLR, Tica pareceu mais tímida com a iluminação e os rebatedores. “Meu nome é Francisco João da Silva, mas meu nome de guerra é Francisca e eu sou a princesa do Reisado Santo Heleno do bairro Frei Damião”, diz a primeira frase dela para a câmera ainda se referindo ao antigo bairro em que morava e ao qual pertence seu grupo de reisado. A mudança se deu por motivos de renda. A casa no Frei Damião era alugada, e no momento, Tica não consegue cobrir os gastos do aluguel e da construção do seu lar. Por isso, sua irmã cedeu uma casa para ficar enquanto o dinheiro das apresentações de reisado e da reciclagem em que o marido trabalha, cobre o orçamento da construção, faltam oito sacos de cimento e meio milheiro de tijolos. A história de Tica no reisado também é uma história de amor. Foi dançando que conheceu seu marido, Cícero, cujo compartilha bens há oito anos e é o persoangem Mateu. Nem sempre ela foi rainha ou princesa. Começou como “abaixadeira”, dentro do cordão figural da dança, embaixadora. Tudo começou quando madrinha Bia questionou o porquê de não colocar Francisca como Rainha. O mestre Dedé, concordando com a 1 Estudante do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e pesquisador no Núcleo de Estudos em Corporeidade, Alteridade, Ancestralidade e Gênero (NECAGE), ribaeomar@gmail.com. 2 Doutoranda em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenadora do Núcleo de Estudos em Corporeidade, Alteridade, Ancestralidade e Gênero (NECAGE), ledampinheiro@gmail.com.