A usabilidade no desenvolvimento de aplicações para TV Interativa André Valdestilhas, Felipe Afonso de Almeida Laboratório de Interação, Comunicação e Mídia (LINCOM) Divisão de Ciência da Computação – Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Praça Marechal Eduardo Gomes, 50, CEP 12228-900 São José dos Campos, SP, Brasil firmao@yahoo.com.br , felal@ida.liu.se Resumo O presente artigo evidencia a importância de tratar os conceitos de usabilidade no desenvolvimento de aplicações para TV interativa bem com a importância de se ter cautela nesse processo. Demonstra, outrossim, as principais etapas do processo de desenvolvimento de aplicações para TV interativa, afim de providenciar uma certa melhoria em relação à usabilidade desta tecnologia a ser implantada no Brasil e minimizar o problema da exclusão digital. 1. Introdução Com o interesse do governo federal em definir um sistema para a Televisão Interativa(TVi) no Brasil [11], nota-se que o fato de ter-se um sistema de TVi implicaria automaticamente em fazer-se um estudo sobre a usabilidade que envolve esse novo paradigma que é a TVi. A implantação da televisão digital no Brasil é questão altamente estratégica, pois envolve aspectos de grande impacto na vida dos brasileiros [19]. Não se pode mudar bruscamente o modo de assistir televisão das pessoas, impondo o uso de periféricos que não são comuns ao telespectador e tiram o seu conforto. Com a crescente popularização dos sistemas interativos, a distinção entre os produtos, dar-se-á pela interface. Nas vendas entre produtos similares, sobressai o que melhor permitir o acesso do usuário às funcionalidades fornecidas pelo sistema. Convêm ressaltar que, em alguns casos, a funcionalidade e o desempenho não são suficientes para satisfazer o usuário, que opta por outro sistema com interface atrativa. Ou seja, se um produto deseja ser competitivo, necessariamente sua interface deve ser considerada de forma séria [1]. Um estudo feito por Célia Quico e Manuel Jose Damásio [4] demonstra a necessidade de lidar com dois tipos de telespectadores, os curiosos e os medrosos. A partir dos quais deduziram quatro perfis diferenciados de usuários: “Curiosos entusiastas”, “Curiosos Reticentes”, “Medrosos com orientação” e “Medrosos desmotivados”, assim como mostrado na figura 1. Telespectador Curiosos Medrosos Entusiastas Reticentes ComOrientação Desmotivados Figura 1. Perfis de Telespectadores. Os “Curiosos” correspondem aos usuários que tomam a iniciativa de experimentar os serviços e funcionalidades do aparelho, freqüentemente, por tentativa e erro. A maioria dos participantes desta pesquisa, adaptam-se à esta categoria. Sobre os sub- perfis “Curiosos entusiastas” e “Curiosos reticentes”, correspondendo aos primeiros usuários na faixa dos vinte anos de idade, habituados as novas tecnologias de informação e comunicação e que encaram com grande vontade a exploração dos serviços e funcionalidades desta tecnologia. Já os “Reticentes”, são pessoas de trinta a quarenta anos de idade, com experiência na utilização de computadores(PC) e Internet, mas que não demonstram o mesmo entusiasmo do perfil anterior relativo à essa nova tecnologia, apesar de manifestarem alguma segurança na forma como lidam com as novas tecnologias. Já os “Medrosos” correspondem aos usuários que demonstram algum receio em experimentar esses novos serviços, tendo pouca familiaridade com as novas tecnologias em geral e tendo manifestado uma certa aversão a estas, não recorrendo à manuais de instruções, por considerar pouco interesse pelo novo artefato, ou por simples falta de paciência na sua consulta. Já os sub-perfis “Medrosos com orientação” e “Medrosos desmotivados”. Enquanto os primeiros se caracterizam por, face a dificuldades de utilização de novas tecnologias, recorrem à pessoas mais informadas para aprenderem a manipular a tecnologia, já o segundo sub-tipo resiste em tomar o comando do novo