INTERFACE PARA CRIAÇÃO DE ROTAS AUTOMOTIVAS VIRTUAIS NO TRATAMENTO DE FOBIAS DE DIREÇÃO José Gustavo de Souza Paiva, Alexandre Cardoso, Edgard Lamounier Jr., Ederaldo José Lopes, Renata Ferrarez Fernandes Lopes Faculdade de Engenharia Elétrica – Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Avenida João Naves de Ávila, 2160 – CEP: 38400-902 – Uberlândia – MG. {gustavo,alexandre,lamounier}@ufu.br, ederaldol@umuarama.ufu.br, rfernandeslopes@fapsi.ufu.br Resumo: Este artigo apresenta uma pesquisa com o objetivo de auxiliar o tratamento de fobia de direção, através de um sistema de Realidade Virtual, associado a uma interface para criação de rotas virtuais. Esta interface permite uma personalização de trajetos, de acordo com o perfil de cada paciente, propiciando maior flexibilidade na criação das rotas. Palavras-Chave – Fobias, Realidade Virtual. Abstract – This paper presents a research with the objective to develop an interface to virtual route creation, based on Virtual Reality techniques for driving phobia treatment. The main contribution of this system is its flexibility for route creation, allowing a customization of these routes, according to each patient’s profile. 1 Keywords – Phobias, Virtual Reality. I. INTRODUÇÃO Segundo Kiss et al. (2003), a utilização da Realidade Virtual (RV) como uma ferramenta na área médica tem crescido consideravelmente nas últimas décadas, sendo utilizada em uma variedade de tratamentos psicológicos, como por exemplo, no combate a depressão, doenças relacionadas com idade, controle de raiva, e no tratamento de fobias (Netto et al., 2002). Wauke et al. (2002) apresenta as principais vantagens da utilização da Realidade Virtual para o tratamento de fobias, em relação aos tratamentos tradicionais: • O paciente não precisa imaginar o ambiente que lhe causa fobia, pois este já é retratado na tela do computador; • Como a terapia é realizada totalmente dentro do consultório do psicólogo, esta se torna mais segura, e menos constrangedora para o paciente; • Permite que o psicólogo controle gradualmente o nível de exposição do paciente à situação que lhe causa fobia; • Por utilizar apenas um computador e um equipamento de RV, o tratamento tem um custo reduzido, se comparado a terapias de exposição real; De acordo com Boralli et al. (2003), podemos encontrar diversos projetos de pesquisa que utilizam RV para o tratamento de fobias tais como: • Fobia de aranhas (Carlin et al. 1997); • Fobia de voar (Hodges et al., 2001); • Agorafobia, ou medo de lugares abertos (Romano et al., 2002); • Transtorno de Estresse Pós-traumático (Hodges et al., 2001); Cabe destaque à fobia de dirigir. Em muitos casos, este tipo de fobia é conseqüência de um Estresse Pós-traumático (Galovski). Nos últimos quinze anos, pesquisadores começaram a descobrir que certa porcentagem de sobreviventes de acidentes de carro desenvolveu um estresse pós-traumático. Verifica-se que 39% de 158 sobreviventes de acidentes automotivos graves apresentavam sintomas de estresse pós-traumático e, dentre 92 sobreviventes de acidentes de carro hospitalizados na Austrália, 25% deles apresentavam sintomas de estresse pós-traumático. A fobia de direção apresenta-se como um grande transtorno pessoal. A habilidade de dirigir um veículo representa um componente fundamental para uma vida independente. Desta forma, o medo de dirigir pode causar grande impacto na vida pessoal do paciente, afetando seu trabalho, lazer, e inclusive atividades domésticas (Schultheis; Mourant, 2001). Dentre as limitações dos sistemas de RV encontrados para o tratamento de fobia de direção, destaca-se a impossibilidade de propiciarem flexibilidade na criação de rotas (a serem experimentadas pelo paciente durante o tratamento). Geralmente, os sistemas apresentam rotas já construídas, com elementos como ruas, pedestres, túneis, casas, etc., mas não permitem que as posições destes elementos dentro do ambiente virtual de experimentação sejam modificadas, ou que novos elementos sejam inseridos. Em alguns sistemas, o psicólogo pode ainda alterar as condições de tráfego, escolhendo rotas com tráfegos variados de pedestres e automóveis, ou alterar as condições climáticas da rota. Desta maneira, nem todos os elementos que causam fobias podem ser combatidos, já que tais sistemas não oferecem rotas que incluem todos estes elementos. Além disso, observar-se que as mesmas rotas têm que ser utilizadas para todos os pacientes, o que não é eficiente, visto que cada paciente desenvolve o medo de direção por um motivo particular. Os sistemas de construção de ambientes virtuais que podem ser adaptados para serem utilizados com a construção particularizada de rotas customizadas não foram desenvolvidos para este fim, e possuem uma interface que