CRÍTICA À APOLOGIA DOS OBJETOS Paulo Cesar Scarim RESUMO: Em nenhuma outra época a humanidade produziram-se tantos objetos. Sobre esta afirmação é necessário que recaia uma análise. Os reflexos deste fato sobre as noções e conceitos do pensar geográfico é o centro deste artigo. PALAVRAS- CHAVE: Objeto técnico, razào, conceito, espaço geográfico e modernidade ABSTRACT: In no other time men has produced so many objects. It is necessary to analyze this affirmation. The reflection of this fact on notions and concepts of geographical thoughts are the center of this article. KEY- WORDS: Technical objects, reason, concept, geographical space and modernity No nosso entorno nos relacionamos com um conjunto de objetos, que povoam nossa per- cepção, nossos pensamentos e nossos sonhos. São pensados como realizadores de nossos anseios e acabam-se colocando como a marca do homem do final deste século (um computador, um carro ou um celular). Sendo a base de nossa percepção, este mundo dos objetos torna-se a base dos con - ceitos do entendimento. É sobre este neo- determinismo artificial, ou a apologia deste, que este texto busca descorrer. O primeiro ponto de partida, que se põe de imediato, para se construir a crítica, é a separa- ção homem - natureza. Este é um marco ontológico, pois no processo de humanizaçáo, pelo trabalho, o homem transforma a natureza, e também se (auto) transforma, se auto-definindo a partir de sua diferenciação real com a natureza. Na produção ma- terial do seu mundo o homem toma consciência de si. A auto- consciência humana aparece na his- tória como a separação do seu diferente, a nature- za. Esta foi a condição da emancipação humana com relação à natureza: o processo de trabalho, o desenvolvimento da técnica e da linguagem. Com a exteriorização humana, ou seja, a produção de um espaço, de objetos com a forma humana, acom- panha, e é o meio, desta humanizaçáo. Mas este é um princípio genérico, ou seja universal. Nesta construção teórica é possível identi- ficar o grande projeto da razão: libertar o homem, identificando-o em relação ao outro. E isto signifi - cou um projeto de dominação deste outro, enten- dido tanto como a natureza externa ao homem (com seus ciclos, violências...), como o que há de natural no homem (o que há de bárbaro, seus ci- clos, seus desejos, seus instintos...) e também o outro que vem do estrangeiro (o outro homem, o desconhecido, o artista...). Mestrando em Geografia Humana USP Avenida Construtor David Teixeira, n. 800, Ap. 202, Bairro República, Vitória, Espírito Santo. E-mail: scarim@hotmaiI.com