Il biennio nero Fascismo, antifascismo e violência política Leandro Galastri https://orcid.org/0000-0002-6218-1113 Introdução Abordar o tema da violência política com base nos escritos de Gramsci signifca localizá-lo como parte daquela tradição do pensamento político que concebe a violência como possível desdobramento lógico das relações de força entre grupos em sociedade 1 . Para o pensamento marxista e, portanto, para Gramsci, tais grupos são, principalmente, as classes sociais. Nesta perspectiva, tratar da violência política também signifca abordar os limites legais da ação política além dos quais a violên- cia aparece, seja a do Estado, para “recompor” a ordem institucional, seja a de fora do Estado, que via de regra também é contra o Estado. Ou melhor, contra a ordem institucional vigente no interesse de determinada classe social. Em situações históricas ameaçadoras para determinado modelo institucional de dominação de classe, esta própria “legalidade” é modifcada, ou mesmo abandonada por esta classe social, em nome de sua sobrevivência material. Marx (2011) foi o primeiro a demonstrá-lo em seu “Dezoito Brumário de Luís Bonaparte”. Já Engels, diante do crescimento partidário e eleitoral irrefreável da social-democracia alemã no fnal do século xix, afrmara que a única solução para a burguesia seria “violar * Universidade Estadual Paulista, Marília, São Paulo, Brasil. 1. Para mencionarmos quatro nomes centrais dessa tradição, ver Maquiavel (2008, pp. 57, 69), Hobbes (1999, p. 141), Weber (2011, pp. 120-121) e Clausewitz (2007, pp. 100, 184).