R E V I S T A R E L E G E N S T H R É S K E I A 2 0 2 0 U F P R 284 V. 09 N 2 (2020) – pp. 284 a 3 0 7 CONFLITOS AGRÁRIOS E O CATOLICISMO LIBERACIONISTA: ROMARIA DA TERRA (PR, SC) E OS ARQUIVOS DO SNI Agrarian conflicts and liberationist catholicism: Pilgrimage of the Land (PR, SC) and the archives of the SNI. Luiz Ernesto Guimarães 1 Antônio Mendes da Costa Braga 2 Fabio Lanza 3 Luan Prado Piovani 4 RESUMO Os estudos a seguir são reflexões acerca do conflito agrário no Brasil e sua relação com grupos religiosos católicos, sob a perspectiva liberacionista. Ao longo do processo histórico a não distribuição equitativa de terras no Brasil e a perpetuação da concentração agrária foram questionados por grupos católicos vinculados a Comissão Pastoral da Terra, que possuíam/possuem uma interface com a questão agrária e os movimentos sociais populares. Foram selecionados de forma intencional dois períodos da história recente do Brasil com o mesmo recorte territorial (PR e SC), seja no período da ditadura militar (1964-1985) a partir da investigação documental nos arquivos que foram publicizados pelo Serviço Nacional de Informação (SNI) ou no século XXI considerando a pesquisa de campo em evento católico intitulado Romaria da Terra e das Águas (2015 - SC). Frente aos diferentes contextos problematizamos: quais são as principais características dessa relação entre grupos e lideranças católicas e o enfrentamento da estrutura fundiária concentradora? Como os diferentes períodos da história nacional são evidenciados pelas fontes frente ao tema do conflito agrário e às ações católicas vinculadas a Teologia da Libertação? O processo de investigação privilegiou fontes: documentais do SNI; pesquisa de campo com observação e registros, coleta de documentos e a análise ocorreu por meio da triangulação de dados das diferentes fontes e períodos. Como resultado, identificamos que o caráter contestatório que as respectivas manifestações religiosas tiveram contra o latifúndio e o papel desempenhado pela CPT para auxiliar na organização dos camponeses, fez com que fosse vigiada pelos órgãos de segurança durante a ditadura militar brasileira (1964 – 1985). Ainda, os simbolismos das romarias na atualidade, além de sua especificidade de representar e relembrar os episódios de luta pela terra, marcam o processo histórico por uma sociedade com menor desigualdade na distribuição agrária. Assim os sujeitos religiosos produziram ações que foram vigiadas pela ditadura militar (1964/1985), bem como, 1 Doutor em Ciências Sociais. Professor junto ao departamento de Ciências Humanas da Universidade do Estado de Minas Gerais – unidade Barbacena. E-mail: pr.ernesto@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1036- 0563; 2 Professor e pesquisador do Departamento de Sociologia e Antropologia e do Programa de Ciências Sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Unesp, SP.. E-mail: tonibraga@uol.com.br . ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5929-1012; 3 Professor Associado vinculado ao Departamento de Ciências Sociais, ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia (M/D), ao Programa de Mestrado Profissional de Sociologia em Rede Nacional – PROFSOCIO da Universidade Estadual de Londrina PR.. E-mail: lanza1975@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0003- 2807-9075; 4 Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina. Pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Religiões e Religiosidades. Membro do projeto Práxis Itinerante. Bolsista do CNPq. E-mail: luan.piovani@gmail.com. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9752-2849;