Extensio Dossier 2 Volume 9 | Nº 14 | 2º semestre 2012 | ISSN 1807 – 0221 Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. DOI: 10.5007/1807-0221.2012v9n14p2 Caminhos e descaminhos do dicionário Adja Balbino de Amorim Barbieri Durão 1 O dicionário tem uma longa história. Dependendo do objetivo que se tenha em mente ao fazer o resgate de sua história, pode-se dizer que as primeiras manifes- tações humanas relacionadas à produção de imagens e de linguagem icônica são as pin- turas rupestres, as quais pertencem à época conhecida como Pré-História. Tais pinturas mostram não apenas cenas da vida diária dos homens daquele período histórico como também são consideradas, por alguns, rudimentos da escrita sistêmica e, embora não devam ser consideradas como escrita propriamente dita, foram o primeiro passo que o homem deu no caminho da escrita, podendo, assim, ser relacionadas à história dos dicionários. fig. 1: pinturas rupestres Pode-se optar, também, por associar o dicionário às tabuinhas sumérias, encontradas em distintos pontos da antiga Meso- potâmia, ou aos papiros egípcios, que, sem dúvida alguma, constituíram não apenas um sistema precioso que permitia o registro da contabilidade, das leis, das palavras e de seus significados, mas também o aflorar da literatura, e, naturalmente, do dicionário. Fig. 2: tabuinha suméria Fig. 3: dicionário bilíngue Fig. 4: escriba egípcio Entretanto, neste número da Revista Extensio, acataremos a opinião de uma grande estudiosa da Lexicografia, Maria Tereza Camargo Biderman, para quem o campo de saber que se centra no estudo dos dicionários esclarece que a “verdadei ra Lexicografia” e, portanto, o verdadeiro dicionário, surgiu no final da Idade Média, mais precisamente no século XV. Nessa época, os monges co- piavam livros à mão nos scriptoriumdos mosteiros onde realizavam seu labor religioso: havia monges cuja função era simplesmente copiar os códices, e outros que se encarregavam de adorná-los com figuras e iluminuras. Os monges copistas faziam anotações nas margens das páginas dos manuscritos ou entre suas linhas, anotações essas que receberam o nome de glosas. 1 Professora da Universidade Federal de Santa Catarina, do Programa de Pós-Graduação em Linguística e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução, e Bolsista de Produtividade do CNPq.