POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES DA PEDAGOGIA CRÍTICA AO ENSINO DE LÍNGUAS DE HERANÇA. Ivian Destro Boruchowski Florida International University Muitos dados e pesquisas ressaltam o aumento do deslocamento de pessoas no mundo contemporâneo, em sua maioria na condição de imigrantes ou refugiados. Em estudo longitudinal sobre 400 crianças que imigraram com suas famílias aos EUA, Suárez-Orozco et al. (2010) observaram que 70% das famílias imigram em busca de melhores condições de vida. A pesquisa revelou que, movidas por questões financeiras ou de segurança, as famílias veem-se diante de uma mudança social profunda porque, quando chegam ao novo país, geralmente essas famílias são tomadas por questões extremamente complexas de uma sociedade cuja lógica desconhecem. Uma das questões complexas a que se deparam os imigrantes ou refugiados é a decisão sobre a manutenção e o desenvolvimento da Língua de Herança (LH). Muitas pesquisas (Melo-Pfeifer, 2010; Lee & Kim, 2008; Schwartz, 2008) ressaltam que essa decisão é influenciada pelo valor e pelas atitudes da família e do falante em relação à sua língua e cultura. No entanto, esse capítulo propõe que políticas linguísticas do país de acolhida e ideologias dominantes em relação aos falares e à cultura de minorias nessa sociedade devem ser investigadas como fatores que influenciam na manutenção e no desenvolvimento de LH. A partir de seus estudos no contexto estadunidense, Boruchowski (2015, p. 163) elaborou o conceito de que uma LH é “aquela utilizada com restrições, limitada a um grupo social ou ao ambiente familiar, e que convive com outra(s) língua(s) que circula(m) em outros setores, instituições e mídias da sociedade em que se vive”. Essa definição indica um importante aspecto, que Flores et al. (2017) ressaltou: a ideia de uma LH evidencia o contexto sociológico de minoria linguística em que crianças, bilíngues simultâneas ou sequenciais, adquirem a língua da família. Enfatizando a relevância desse contexto, este capítulo dedica-se à reflexão sobre as possíveis contribuições da pedagogia crítica ao ensino de Português como Língua de Herança (PLH). Por exemplo, pela necessidade de analisar de que forma as sociedades e