CARACTERIZAÇÃO DO ESTÁGIO SUCESSIONAL DA VEGETAÇÃO DA RESTINGA DA VILA BARRA DO UNA, PERUÍBE – SP Talita Cristina Caetano CAMARGO Luana de Lucena NOVAES Mara Angelina Galvão MAGENTA Claudio de MOURA João Aurélio PASTORE O litoral brasileiro possui mais de 9.000 km de extensão e em aproximadamente 5.000 km desta extensão ocorre a vegetação de restinga (Lacerda & Esteves, 1994). A região costeira engloba a estreita faixa de terras baixas nas costas nordeste e leste do Brasil, incluindo as numerosas baías, que em alguns casos penetram profundamente para o interior, sendo designada genericamente como litoral brasileiro. Nas planícies praianas recentes, ou restingas, as principais formas de vegetação são os manguezais, campos de gramíneas pouco densos sobre dunas recentes, vegetação de dunas e matas de dunas. Também ocorre a mata pluvial tropical, que só se desenvolve como mata “clímax” em solos das restingas mais antigas ou em planícies de erosão a maiores distâncias da costa (Hueck, 1972). Andrade & Lamberti (1965) dividem a comunidade costeira da Baixada Santista em quatro zonas: Zona do litoral arenoso, Zona dos brejos de água doce, Zona do mangue e Zona dos morros e da escarpa da Serra do Mar. A Zona do litoral arenoso, ou da praia, foi subdividida em duas sub-zonas distintas: a) o lado da praia arenosa, voltado para o mar, que apresenta as dunas primárias ou anteriores e, freqüentemente dunas interiores, formando uma faixa que é coberta por uma vegetação de ervas e arbustos, denominada como vegetação pioneira ou vegetação de dunas; b) atrás dessa faixa, uma região arenosa mais ou menos plana, na qual ocorre a vegetação de restinga que é a vegetação principal da praia. A vegetação de restinga é distribuída em mosaico, ocorrendo em áreas de grande diversidade ecológica edáfica (Sugiyama, 1998). Esta vegetação apresenta características de Mata Atlântica (Teixeira , 1986; Falkemberg, 1999), sendo considerado como ambiente frágil em função de sofrer constantes mudanças físicas do ambiente, como altas temperaturas, borrifos permanentes de água salgada trazidos pelas ondas do mar, baixa disponibilidade de água e solo pobre de nutrientes (Waechter, 1985; Souza, 2004; Rocha ., 2004) e suportando ventos intensos, o que gera um grande fator de para a vegetação deste ecossistema (Menezes & Araújo, 2000; Sugiyama, 2003). Alguns trechos preservados de florestas de restinga são encontrados dentro de unidades de conservação e a proteção destas áreas é de suma importância, não só para a manutenção da biodiversidade, como também por ser uma fonte de espécies para recuperação de áreas de planícies arenosas costeiras, e também de áreas de Mata Atlântica, já que 50% das espécies desta flora ocorrem também nesta formação vizinha (Sugiyama, 2003). Apesar deste bioma ser considerado como Área de Preservação Permanente - APP pelo Código Florestal, Lei Federal nº 4771/1965 (Brasil, 1965), a vegetação de restinga vem sofrendo forte pressão antrópica. Segundo Santos & Medeiros (2003), a especulação imobiliária e a extração de areia são atividades antigas e de grande impacto ao meio ambiente. Com a falta de vegetação esse solo fica totalmente desprotegido modificando, assim, sua estrutura (Falkenberg, 1999). Como resultado da modificação sucessiva da paisagem, anualmente perde-se consideráveis áreas de restinga e são introduzidas espécies exóticas, ocorrendo a colonização com espécies secundárias. 1 2 3 4 5 1 INTRODUÇÃO habitat et al. et al stress O conhecimento total da flora de áreas de preservação é altamente recomendável, visando a disponibilização dos resultados em um banco de dados, para uso em projetos de reflorestamento em áreas próximas e para a compreensão das relações ecológicas. ______ (1) Discente do curso de Ciências Biológicas, Universidade Santa Cecília. E-mail: talitacaetano1621@hotmail.com (2) Discente do curso de Ciências Biológicas, Universidade Santa Cecília. E-mail: luanalnovaes@hotmail.com (3) Orientador. Universidade Santa Cecília, 11045-907, Santos, SP, Brasil. E-mail: maramagenta@yahoo.com.br (4) Co-orientador. Instituto Florestal, Caixa Postal 1322, 01059-970, São Paulo, SP, Brasil. E-mail: claudio.jureia@if.sp.gov.br (5) Instituto Florestal, . E-mail: jaurelio_77@hotmail.com Caixa Postal 1322, 01059-970, São Paulo, SP, Brasil IF Sér. Reg., São Paulo, n. 40, p. 83-87, jul. 2009.