1 Seminário Internacional Fazendo Gênero 10 (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2013. ISSN 2179-510X INTERVENÇÕES ESTÉTICO-URBANAS: NOVAS POLÍTICAS DOS FEMINISMOS LATINO-AMERICANOS Júlia Glaciela da Silva Oliveira 1 Resumo: Entre as décadas de 1970 e 1980, muitos grupos e militantes feministas adotaram performances artísticas e intervenções culturais como forma de resignificar as estratégias de luta. Por meio de diversos elementos estéticos, como esquetes de teatros, afiches, painéis, publicações, grafites, entre outros, estes grupos têm ocupado os espaços públicos e realimentado a bandeira do “pessoal é político”. Assim, essas organizações têm reatualizando o imaginário cultural sobre temas inerentes aos feminismos latino-americanos como a violência de gênero, o aborto, a homofobia e as questões étnicas. Deste modo, o intuito desta apresentação é cartografar os grupos feministas latino- americanos que, desde os anos de 1980, têm utilizado a “arte ativista” como outra proposta de militância política. Busca-se, assim, perceber como esses grupos, por meio de suas intervenções estéticas nos espaços públicos, problematizam a construção das identidades, criticam as formas de representação e das relações de poder e possibilitam a constituição de novas formas de subjetividade. Palavras-chave: feminismos; América Latina; ativismo, arte, gênero Desde os inícios dos anos de 1980, na América Latina, organizações feministas passaram a conciliar aspectos artísticos à militância como uma nova forma de fazer política. Peças de teatro chamando a atenção para a violência de gênero ou afiches e intervenções estéticas denunciando, de forma humorada, a criminalização do aborto, constituíram-se como instrumentos políticos de muitos dos novos feminismos. Tomando referência a definição de Guasch: “arte política é aquela cujos temas refletem, de forma crítica e ironicamente, os problemas sociais. A arte ativismo assume um papel testemunhal e ativo frente às contradições e conflitos gerados pelos sistemas” (Guasch, 2000, p.483). Essa nova estratégia política, que concilia arte, militância e as demandas dos movimentos sociais, surgiu em meados da década de 1970 e se expandiu durante os anos de 1980. No entanto, foi na década de 1990 que essa nova figuração política se difundiu e se ganhou espaço nos países latino-americanos. Na análise de Felshin: A arte feminista, através de uma grande variedade de meios, tem feito eco nos problemas e interesses de um novo feminismo emergente dando forma estética ao credo o “pessoal é político”, uma ideia que agitou grande parte da arte ativista na dimensão política da experiência privada. Muitas ativistas feministas adotaram a performance artista nos anos 70 resignificando o gênero de acordo com as estratégias do feminismo. (...) Temos que destacar também que, independente destas artistas surgirem nos anos 70, 80 ou 90, os temas 1 Mestra em História Cultural, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil.