Pedro Henrique Riboldi Monteiro (1) ; Álvaro Boson de Castro Faria (2) ; Celso Garcia Auer (3) ; Alessandro Camargo Ângelo (4) . (1) Estudante de pós-graduação; Centro de Ciências Florestais e da Madeira; Universidade Federal do Parana - UFPR; Rua Lothário Meissner, 632, Curitiba, CEP: 80210-170, Jardim Botânico. rmonteiro.ef@gmail.com ; (2) Professor Efetivo, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus da UTFPR, Dois Vizinhos, PR, CEP: 85.600-000 alvarob@utfpr.edu.br ; (3) Pesquisador da Embrapa Florestas, Estrada da Ribeira km 111, Colombo, PR, 83.411-000, auer@cnpf.embrapa.br ; (4) Professor Adjunto, Universidade Federal do Paraná, Campus da UFPR, Curitiba, PR, CEP: 80.210-270, alessandro.angelo@ufpr.br ; RESUMO– Os fungos ectomicorrízicos (ECM) têm sido utilizados na produção de mudas florestais de qualidade. Neste trabalho, levantou-se a hipótese de que estes microrganismos também auxiliariam na degradação de moléculas orgânicas de pesticidas (xenobiontes) registrados no setor florestal. Este trabalho teve como objetivo avaliar a tolerância de fungo ectomicorrízico em exposição ao herbicida glifosato. O xenobionte atrasou o desenvolvimento do fungo ECM-Un01, no entanto a dose testada não foi suficiente para impedir seu desenvolvimento posterior. Existem, portanto, indícios do isolado ECM-Un01 ser tolerante ao glifosato, na dose utilizada. Palavras-chave: biorremediação; defesa fitossanitária; manejo integrado. INTRODUÇÃO - O glifosato é um herbicida bastante utilizado no controle das plantas daninhas, que competem por água, luz e nutrientes na implantação de florestas de produção. A persistência residual e a degradação de pesticidas no solo dependem da ação dos microrganismos presentes, e que se alimentam das estruturas orgânicas destas moléculas (Faria, 2009). Uma atenção considerável tem sido dada no uso de plantas para remediar solos contaminados com metais e Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) (Meharg e Cairney, 2000). A biorremediação é uma área da biotecnologia ambiental e que pode ser definida como a aplicação de processos biológicos para o tratamento da poluição (Gadd, 2001). Muitos trabalhos tem se concentrado sobre o uso de bactérias, mas há uma clara desvalorização do potencial do envolvimento dos fungos na biodegradação (Gadd, 2001). Os fungos ectomicorrizicos (ECM), por vezes presentes nas raízes de Pinus spp. e Eucalyptus spp., contribuem com a produção em biomassa vegetal. Segundo Meharg (2001), as enzimas produzidas por ECM, como lacases, tirosinases, oxidases e peroxidases são pouco seletivas sobre os POPs, indicando que ECMs poderiam degradar estes poluentes. A vantagem dos fungos é que seu crescimento micelial maximiza, tanto fisicamente quanto mecanicamente a ação enzimática, em contato com o ambiente (Maloney, 2001). Entende-se por rizorremediação (ou fitoestimulação) a capacidade que as raízes de certas plantas apresentam em estimular a ação de microrganismos degradadores de poluentes no solo. Estas e outras técnicas como fitoextração, fitotransformação e fitoestabilização estão entre as classes de fitorremediação (Pilon-Smits, 2005). Quando a atividade remediadora ocorre na rizosfera e não na planta propriamente, é preferível usar o termo rizorremediação ao invés de fitorremediação (Meharg e Cairney, 2000). Os organismos remediadores devem, no mínimo, preencher três requisitos importantes (Meharg, 2001). O poluente deve estar biodisponível para o organismo remediador, este deve ser tolerante ao poluente presente nas concentrações encontradas no sítio a ser corrigido. Por fim, os organismos devem possuir a capacidade enzimática para degradar os poluentes de interesse (Meharg, 2001). Apesar de estudos de laboratório terem mostrado a viabilidade, testes de campos sobre rizorremediação são praticamente inexistentes (Meharg, 2001). Ainda se conhece pouco sobre a diversidade funcional das enzimas das ECM (Cabello, 2001; Finlay, 2005), e os mecanismos de degradação de poluentes por ECM ainda são pouco conhecidos (Meharg e Cairney, 2000). As interações de micorrizas com organismos do solo são inevitáveis, mas foram muito pouco estudadas (Meharg e Cairney, 2000; Perez-Moreno e Read, 2004; Finlay, 2005). Em condições naturais, ainda não é claro qual a prevalência da fonte nutricional das ECM, se são as plantas hospedeiras ou a matéria orgânica do solo (Treseder et al., 2006). Dentre as novas tendências ao se pesquisar micorrizas, destacam-se os estudos sobre a interação do micélio extra-radicular com substratos orgânicos e inorgânicos do solo (Finlay, 2005). Considerando que existem mais de seis mil espécies de Estudo Sobre a Viabilidade de Remediação de Pesticidas por Ectomicorrizas e Avaliação da sua Tolerância em Exposição ao Glifosato