Bioestatística https://doi.org/10.22491/2357-9730.96394 ISSN 2357-9730 http://seer.ufrgs.br/hcpa 257 Bioestatística e epidemiologia: perguntas que você sempre quis fazer, mas nunca teve coragem Biostatistics and epidemiology: questions you always wanted to ask but never had the courage to Stela Maris de Jezus Castro 1,2 , Aline Castello Branco Mancuso 1 , Vanessa Bielefeldt Leotti 1,2 , Vânia Naomi Hirakata 1 , Suzi Alves Camey 1,2 RESUMO Dando continuidade aos artigos da série “Perguntas que você sempre quis fazer, mas nunca teve coragem”, que tem como objetivo responder e sugerir referências para o melhor entendimento das principais dúvidas estatísticas levantadas por pesquisadores da área da saúde, este terceiro artigo aborda o contexto epidemiológico. Neste contexto, foram diferenciadas as principais medidas como prevalência, incidência, Odds Ratio (OR), Risco Relativo (RR), Razão de Prevalência (RP) e Hazard Ratio (HR), foi esclarecido o uso de análises por intenção de tratar e análise por protocolo, e também discutidos alguns dos termos comumente utilizados e pouco compreendidos como tipo de amostra, nível de evidência, relevância clínica e estatística, entre outros. Palavras-chave: Delineamentos; nível de evidência; medidas de associação; ensaios clínicos; análise por intenção de tratar; análise por protocolo; amostra aleatória; amostra por conveniência; randomização em blocos ABSTRACT Continuing the series of articles “Questions you always wanted to ask but never had the courage to,” which aims to answer key statistical questions raised by health researchers and suggest references for a better understanding, this third article addresses the epidemiological context. In this context, important measures such as prevalence, incidence, odds ratio (OR), relative risk (RR), prevalence ratio (PR) and hazard ratio (HR) were differentiated; the use of intention-to-treat analysis and per-protocol analysis was clarifed; and some terms commonly used and poorly understood were discussed, such as type of sample, level of evidence, clinical and statistical relevance, among others. Keywords: Designs; level of evidence; measures of association; clinical trials; intention- to-treat analysis; per-protocol analysis; random sample; convenience sample; block randomization wO contexto estatístico, na área epidemiológica, é fonte de diversas confusões por parte dos pesquisadores. Fato preocupante, visto que muitas destas afetam diretamente o desenvolvimento de estudos e pesquisas, assim como suas conclusões. Como pôde ser evidenciado, via enquete, a maior parte das dúvidas dos pesquisadores não se deve a cálculos matemáticos, mas sim à compreensão teórica dos termos e conceitos utilizados. Visando dar continuidade aos artigos da série “Perguntas que você sempre quis fazer, mas nunca teve coragem”, que tem como objetivo responder e sugerir referências para o melhor entendimento das principais dúvidas estatísticas levantadas em uma enquete com pesquisadores da área da saúde 1 , este artigo pretende esclarecer algumas das dúvidas levantadas no contexto epidemiológico. São respondidas 11 questões envolvendo conceitos gerais de Bioestatística e Epidemiologia. 258 Clin Biomed Res. 2019;39(3):258-265 1 Unidade de Bioestatística, Grupo de Pesquisa e Pós-graduação (GPPG), Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Porto Alegre, RS, Brasil. 2 Departamento de Estatística, Instituto de Matemática e Estatística, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, RS, Brasil. Autor correspondente: Stela Maris de Jezus Castro l-bioestatistica@hcpa.edu.br Grupo de Pesquisa e Pós-Graduação (GPPG), Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) Rua Ramiro Barcelos, 2350. 90035-903, Porto Alegre, RS, Brasil.