Um mundo colonial mestiço 1 : as representações familiares oitocentistas na iconografia de Jean Baptista World colonial mestizo 19th century family representa- tions in Jean Baptista Debret iconography Rangel Cerceau Netto 3 Doutor em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Professor do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH) Email: cerceaup@gmial.com Recebido em: 04/05/2021 – Aceito em 21/05/2021 Resumo: O trabalho busca demonstrar como a representação iconografia sobre família na obra de Jean Baptista Debret reflete um mundo mestiçado fruto dos processos de mundialização ocorridos na America Portuguesa desde a chegada dos europeus até o século XIX. Assim, valoriza-se o ca- ráter polissêmico sobre o olhar de Debret, uma vez que as iconografias referentes à família trazem símbolos visíveis e invisíveis, podendo ser confrontados com as fontes cartoriais do período e serem lidos e interpretados de modos diferentes, mas em diálogo com a obra na temporalidade de sua produção. Palavras Chaves: Iconografia, Família, Representação iconográfica, Jean Baptista Debret The colonial mestizo world: the 19th century family representations in Jean Baptista Debret iconog- raphy. Abstract: The work seeks to demonstrate how the representation of iconography about family in the work of Jean Baptista Debret reflects a world of mixed fruit resulting from the processes of globalization that have taken place in Portuguese America since the arrival of Europeans until the 19th century. Thus, the polysemic character is valued over Debret gaze, since the iconographies re- ferring to the family bring visible and invisible symbols, being able to be confronted with the no- tary sources of the period and to be read and interpreted in different ways, but in dialogue with the work in the temporality of its production. Keywords: Iconography, Family, Iconographic representation, Jean Baptista Debret Introdução A partir das representações patrifocais e matrifocais na representação iconogra- fica de Jean Baptista Debret vivenciadas nas relações familiares no universo colonial da América Portuguesa, busca-se analisar a formação de uma tradição de valores híbridos de autoridades de mando entre homens e mulheres. A pesquisa evidencia o poder de influência divergente entre patrifocalidade e matrifocalidade nas relações familiares e em outros aspectos da vida cotidiana, pelo menos em re- lação aos grupos das africanas, indígenas e suas descendentes com homens portu- gueses e naturais da terra. Também propõe a ideia de uma família mestiça que se constituiu num sem número de possibilidades familiares a partir das mestiçagens vivenciadas no convívio das famílias que envolviam indivíduos brancos, pretos, crioulos, mestiços, mulatos, pardos, cabras, mamalucos, cafuzos, caribocas, entre outros e sendo eles livres, escravos e libertos (CERCEAU NETTO, 2013). A pro- 1 Uma primeira versão do texto foi apresentada no Primeiro Coló- quio Arte e Cultura realizadoem 2016 no Centro Cultural da UFMG e uma versão impressa foi publicada e apresentada em 2019 no Congresso Nacional de Histó- ria – ANPUH com o nome AU- TORIDADES DE MANDO: A FAMÍLIA MESTIÇA E O PODER FAMILIAR ENTRE PATRIARCADO E MATRIAR- CADO EM MINAS GERAIS COLONIAL. 2 Artigo desenvolvido em ativi- dade de Estágio Pós-Doutoral com o Professor Magno Morais Mello Programa de Pós- Gradua- ção em História PPGH-UFMG. 3Professor de História da Arte no Brasil da Universidade do Estado de Minas Gerais -UEMG -Email: cerceaup@gmail.com 18 A Revista Linguagens nas Artes da Escola Guignard, vinculada a Editora da Universidade do Estado de Minas Gerais vol. 2, n.º 1, Janeiro/Julho de 2021 - http://revista.uemg.br/index.php/linguagensnasartes ISSN: 2675-8741 http://orcid.org/0000-0001-8013-7645