ISSN 0103-1538 3750 UMA NOVA ABORDAGEM PARA A DISCRIMINAÇÃO ENTRE SOLO EXPOSTO E VEGETAÇÃO NÃO FOTOSSINTETICAMENTE ATIVA, BASEADA EM DADOS DO SENSOR ASTER/TERRA Fábio Marcelo Breunig – INPE (fabiobreunig@gmail.com) Lênio Soares Galvão – INPE (lenio@dsr.inpe.br) Antônio Roberto Formaggio – INPE (formag@ltid.inpe.br) RESUMO A discriminação entre solo exposto e vegetação não fotossinteticamente ativa (NPV) ainda é uma lacuna em sensoriamento remoto, especialmente para solos arenosos. O objetivo desta pesquisa foi apresentar e avaliar um novo método para discriminar solos expostos de NPV. Essa separação é essencial para estudar solos através de imagens de sensoriamento remoto e/ou por espectroscopia orbital, aérea e de campo, uma vez que o NPV mascara as feições espectrais dos minerais e dos solos. O método proposto baseia-se no uso combinado do modelo linear de mistura espectral e de normalizações do infravermelho de ondas curtas (SWIR) e do infravermelho termal (TIR), que exploram feições de hidroxila e de sílica, respectivamente. Imagens de reflectância e emissividade de superfície do sensor ASTER/Terra (Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer) foram utilizadas no trabalho. Os resultados foram validados com a inspeção de campo em 112 pontos, entre solos expostos e NPV. A normalização do TIR permitiu discriminar todos os solos arenosos (Neossolo Quartzarênico; NQ). Devido ao efeito das feições de reststrahlen na banda 10 (centrada em m 8,291 μ ), associadas ao quartzo, solos arenosos apresentaram os maiores valores para a normalização do TIR. Todos os solos intermediários (Latossolo Vermelho Amarelo; LVA) também foram discriminados. Entretanto, a normalização do SWIR permitiu a discriminação de aproximadamente 75 % dos solos argilosos (Latossolo Vermelho; LV) do NPV. Os solos argilosos apresentaram os maiores valores da normalização do SWIR. A mistura entre NPV e solos argilosos produziu uma área de confusão onde a discriminação não pode ser feita. Esse novo método produziu, num diagrama de dispersão entre as variáveis TIR e SWIR, uma espécie de linha do solo e um capuz invertido, que permitiu discriminar solos expostos de NPV. A contribuição desse trabalho pode ser especialmente útil para o estudo de áreas arenosas e de processos de desertificação/arenização. Cabe ressaltar que pesquisas em outras áreas e testes com mais amostras devem ser feitas para comprovar a eficiência do modelo proposto. Palavras chave: Solos arenosos; Vegetação não fotossinteticamente ativa; sensor ASTER. ABSTRACT A new approach for the discrimination between bare soils and non photosynthetic vegetation, based on ASTER/TERRA data The discrimination between bare soil and non photosynthetic vegetation (NPV) still remains a challenge in remote sensing, especially to sandy soils. The objective of this research was to present and evaluate a new methodology to discriminate exposed soils from NPV. This separation is essential to study soil through remote sensing images and/or field, orbital and aircraft spectroscopy, since NPV masks mineral and soil spectral features. The proposed method is based on a combined strategy of linear spectral unmixing model using four endmembers, and short wave infrared (SWIR) and thermal infrared (TIR) normalizations, which explore hydroxyl and silica features, respectively. Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer (ASTER/TERRA)-derived surface reflectance and emissivity images were used. Results were validated with field data (112 points from soils and NPV). By using TIR normalization, it was possible to discriminate all sandy soils (Quartzarenic Neosol = Ustic Quartzipsamments). Because of reststrahlen effect on band 10 (centered at m 8.291 μ ), associated to quartz, sandy soils presented the highest values for TIR normalization. Intermediary soils (Red–Yellow Latosol = Typic Acrustox) were also discriminated. However,