Produção de serrapilheira em trecho de Floresta Ombrófila Densa no município de Santa Maria de Jetibá–ES Ademar Espíndula Júnior 1 ; Geângelo Petene Calvi 2 ; Marcos Gervásio Pereira 3 ; Murilo Rezende Machado 2; 1. Discente do curso de Agronomia da UFRRJ, Bolsista do CNPq, espindulajunior@yahoo.com.br ; 2. Discente do Curso de Engenharia Florestal da UFRRJ, 3. Professor do Departamento de Solos, Instituto de Agronomia da UFRRJ. Introdução A serrapilheira é um importante componente do ecossistema florestal e compreende o material depositado ao solo pela biota. Este material inclui principalmente folhas, caules, frutos, sementes, flores e resíduos animais. A serrapilheira sobre o solo diminui a incidência direta da radiação solar e aumenta a retenção da água, criando condições microclimáticas que influem na germinação de sementes e estabelecimento de plântulas (MORAES, et. al., 1998).Além desta função ecológica, a serapilheira, por sua posterior decomposição, suprindo o solo e as raízes com nutrientes, sendo essencial na restauração da fertilidade do solo em áreas em início de sucessão ecológica, se tornando a principal fonte de nutrientes em um ecossistema florestal (EWEL, 1976).Os padrões de deposição de serrapilheira introduzem heterogeneidade temporal e espacial no ambiente, podendo afetar a estrutura e a dinâmica da comunidade de plantas (MOLOFSKY & AUSGSPURGER, 1992). Objetivo Este trabalho teve como objetivo quantificar a variação temporal e espacial da produção de serrapilheira em um trecho de floresta Atlântica de altitude no município de Santa Maria de Jetibá - ES. Material e Métodos O estudo foi realizado em uma área sob domínio da Floresta Ombrófila Densa localizada na fazenda Espíndula, no município de Santa Maria de Jetibá, ES. O clima da microregião é do tipo Cwb segundo a classificação de Köppen, a temperatura anual é de 16,7 o C a 25,3 o C e a precipitação em torno de 1800mm anuais. O estudo foi realizado em um fragmento florestal de aproximadamente 25h ha onde somente foi realizada a exploração seletiva de madeira para atender as necessidades da própria fazenda.O material decíduo foi coletado por 10 coletores cilíndricos de 0,25m 2 , distribuídos de forma aleatória na área. A serrapilheira depositada foi coletada mensalmente durante o período de Novembro de 2003 à Outubro de 2004. Após ser coletado o material foi encaminhado para o laboratório e estratificado em: folhas, ramos, material reprodutivo e outros. Após a triagem o material foi seco em estufa à temperatura de 65ºC por 48 horas e pesado a fim de avaliar a contribuição de cada fração no aporte total do material decíduo. Resultados e Discussão Durante o ciclo anual estudado de novembro de 2003 a outubro de 2004, o total de serrapilheira produzida foi da ordem de 2,94Mg ha -1 .ano -1 . Este valor de produção total é menor que os normalmente encontrados na literatura, como por exemplo, TERRA et. al . (2002) estudando a produção de serrapilheira em área de mata atlântica de altitude, durante um período de seis meses, encontraram um valor de 5,51Mg ha -1 . LOUZADA, et. al. (1995) encontrou para uma área de floresta Atlântica sujeita a extrativismo por longo tempo em Angra dos Reis (RJ) valores de deposição de 8,3Mg ha -1 .ano -1 de serrapilheira.BACKES et. al. (2000) estudando uma Floresta Ombrófila Mista em São Fransisco de Paula (RS), relataram uma produção de serrapilheira de 7,2Mg ha -1 .ano -1 . A baixa produção de serapilheira desta área em relação às demais apresentadas pode ser explicada pelos diferentes tipos fisionômicos das florestas estudadas por estes autores, que, segundo MEDINA (1969), afetam diretamente na quantidade e qualidade da serrapilheira depositada. ESPINDULA JUNIOR, et. al. (2004) observou em uma floresta secundária ainda em estádio de sucessão em um período de nove meses, na mesma área do presente trabalho valores de produção total menores que o deste trabalho (2,23 Mg ha -1 ). O padrão de deposição de material decíduo sugere a existência de sazonalidade, com maior aporte na estação chuvosa, janeiro (0,33Mg ha -1 .ano -1 ) e menor deposição de material nos meses de menor precipitação, sendo maio o mês com menor aporte (0,11Mg ha -1 .ano -1 ). O comportamento de menor deposição no mês de maio também foi observado por TERRA et. al . (2002) e ESPINDULA JUNIOR, et. al. (2004) em áreas de floresta de altitude.A fração folhas foi a que predominou entre as demais com 69,27%, seguida dos ramos (18,01%). Diversos estudos demonstram que o principal constituinte da serapilheira são as folhas, sendo que estas podem contribuir em até 75% do