A medicalização da obesidade Simone Pallone de Figueiredo Léa Velho Universidade Estadual de Campinas País: Brasil spallone@unicamp.br 55-19-3521-2590 Objetivo e argumento: O objetivo deste trabalho é mostrar como a obesidade ganhou destaque nos anos 1970 como um problema de saúde, passando a ser tratada como epidemia no final dos 1990. Foi realizado sob a perspectiva dos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia, procurando identificar elementos que pudessem relacionar a obesidade com outros comportamentos que são considerados alvos do processo de medicalização. Metodologia: Além da reflexão sobre a literatura, o estudo apoiou-se na análise de conteúdo do jornal Folha de S. Paulo, no período de 1998 a 2008, para verificar a legitimidade do discurso médico junto ao público geral. Palavras-chave: obesidade, medicalização, controle social, medicalização da obesidade, comunicação pública. Introdução: Em breve análise sobre notícias publicadas em dez diferentes veículos impresso, TV e internet realizada nas duas primeiras semanas de fevereiro de 2012, observou-se que de 379 matérias, 15 dedicaram-se ao tema obesidade. Num ranking sobre temas de saúde que mais aparecem na imprensa, este ficaria em 5º lugar, depois de câncer, bem-estar, DST/Aids e alimentação. O interesse dos meios de comunicação pelo tema não é gratuito, afinal, os índices de obesidade são crescentes no Brasil e no mundo. Dados para a população mundial, fornecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, em 2008, 1,5 bilhão de adultos estavam com sobrepeso e desses, 200 milhões de homens e perto de 300 milhões de mulheres seriam obesos. Uma grande preocupação das autoridades ligadas à saúde é o aumento do número de crianças com sobrepeso e obesidade. A OMS calcula que, em 2010, havia perto de 43 milhões de crianças com excesso de peso (WHO, 2011). No Brasil, a evolução da obesidade é revelada nos resultados dos inquéritos realizados em todas as 26 capitais dos estados brasileiros mais o Distrito Federal, pelo Ministério da Saúde, de 2006 a 2010. Em 2006, a porcentagem era de 11,6, média para homens e mulheres. Nos anos seguintes as médias foram de 12,3%, 13,0% e 13,9%. O último Vigitel Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não