Risk of blackout crisis and electric power rationing: back to the future? Risco de apagão e racionamento de energia elétrica: de volta para o futuro? A reprodução dos artigos assinados por pesquisadores do Cepea é permitida desde que citados: o nome do(a) autor(a), sua qualificação profissional e filiação ao Cepea e data da publicação nesta página. https://cepea.esalq.usp.br/en/opinion/risk-of-blackout-crisis-and-electric-power-rationing-back-to-the-future.aspx Heloisa Lee Burnquist Professora da Esalq/USP e pesquisadora do Cepea Danielle Mendes Thame Denny Pesquisadora do Cepea cepea@usp.br Data de publicação: 12/07/2021 RISCO DE APAGÃO E RACIONAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA: DE VOLTA PARA O FUTURO? Se Robert Zemeckis filmasse ‘De volta para o futuro’ no Brasil, a falta de água e os apagões seriam temas recorrentes da trama. A água é um recurso essencial para a vida de todos os seres vivos. No entanto, como boa parte dos recursos naturais, só ganha atenção junto à população e formuladores de políticas públicas quando o volume ofertado deixa de ser adequado, seja pelo excesso ou por falta. Neste ano de 2021, além dos problemas de abrangência global enfrentados devido à pandemia, já podemos retomar o ditado alertando que “desgraça pouca é bobagem”. As chuvas foram muito escassas principalmente nas regiões agricultáveis do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, mantendo-se abaixo da média em um período crítico para boa parte das culturas agrícolas, afetando negativamente a produção. Isto deverá restringir a geração de excedentes exportáveis, que têm sido importante fonte de recursos para amenizar os vários problemas econômicos acumulados no País desde o início da pandemia. O impacto da escassez “conjuntural” (ou estrutural?) de água não se restringe à menor produção agrícola. Na verdade, os impactos esperados devem ser muito mais abrangentes por vários motivos. A escassez de produtos agroindustriais traz consigo riscos de desabastecimento e aumento de preços dos alimentos. Além disso, a dificuldade em gerar produtos exportáveis deve reduzir o fluxo de reservas internacionais, contribuindo para o baixo poder de compra de nossa moeda. A conjunção destes aspectos pode levar a um aumento generalizado de preços, ou seja à inflação – atualmente em 8,13% ao ano (IPCA), patamar que não era observado desde 2016 –, que somente se cura com remédios bastante amargos e conhecidos pelos que já conviveram com tal fenômeno em décadas passadas. No curto prazo, a conta será mais uma vez paga pela população de uma forma regressiva, ou seja, pesará mais para quem tem menor renda. Aos problemas acima mencionados, soma-se o aumento na conta de luz, em um momento em que muitos estão trabalhando no esquema “home-office”, o que os força a assumir o custo relativo ao consumo de energia necessário para trabalhar. Resultado: quem ainda tem salário, ou seja, não está desempregado, terá maior dificuldade para fechar as contas ao final do mês, considerando o aumento nas despesas com consumo de eletricidade, água e alimentos. Um pacote quase