460 Rev. Ciênc. Méd. Biol., Salvador, v.12, especial, p.460-464, dez.2013 Selma Alves Valente do Amaral Lopes e Carlos Mauricio Cardeal Mendes Prematuridade e assistência pré-natal em Salvador Prematurity and prenatal care in Salvador Selma Alves Valente do Amaral Lopes 1 Carlos Mauricio Cardeal Mendes 2 1 Médica. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação Processos Interavos dos Órgãos e Sistemas, ICS – UFBA. 2 Médico Pesquisador. Professor do Programa de Pós-Graduação Processos Interavos dos Órgãos e Sistemas, ICS – UFBA. Resumo Introdução: A parr da década de 1960, com os avanços tecnológicos que ocorreram na assistência aos recém-nascidos, houve um aumento da sobrevida dos prematuros extremos, embora o Brasil ainda abrigue estascas preocupantes em relação à assistência pré-natal e ao nascimento desses neonatos. Objevo: avaliar a associação entre prematuridade e o número de consultas de pré- natal em Salvador, nas regiões Nordeste e Sul e no Brasil, em 2011. Metodologia: Trata-se de um estudo ecológico espacial. São apresentados dados secundários, colhidos no banco de dados de estascas vitais do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia, no ano de 2011. Resultados: Observou-se que a maior frequência de nascimentos prematuros ocorreu entre as mães que não veram acesso à consulta pré-natal. Embora dados secundários sejam passíveis de quesonamento, principalmente devido ao risco de subnoficação, os resultados mostram que a assistência pré-natal insuficiente pode levar ao aumento de partos prematuros na cidade de Salvador. Conclusão: Em Salvador nascem mais prematuros com um quantavo menor de consultas pré-natal do que na maioria dos estados do Sul e Sudoeste brasileiro. Palavras-chave: Recém-nascido de baixo peso. Prematuro. Cuidado pré-natal. Doenças do recém-nascido. Abstract Background: In the 1960’s, thanks to technological advances in the care of newborns, there was an increase in survival rates of extremely premature infants, although Brazil sll has worrying stascs regarding prenatal care and the birth of these neonates. Objecve: The aim of this study was to evaluate the associaon between prematurity and the number of prenatal consultaons in Salvador, in the Southern and Northeast regions, and in Brazil, in 2011. Methodology: This is an ecological and spaal study. Secondary data collected in the database of vital stascs of the Informaon System on Live Births of the State Department of Health of Bahia, in 2011, is presented here. Results: Premature births were more frequent among mothers who did not have access to prenatal care. Although secondary data is quesonable, parcularly because of the risk of underreporng, the results show that inadequate prenatal care may increase the rate of premature births in the city of Salvador. Conclusion: The number of premature infants born to mothers who had insufficient prenatal care, in this city, is higher than in most states of Brazil’s Southern and Southeastern regions. Keywords: Infant, low birth weight. Infant, premature. Prenatal care. Infant, newborn, diseases. ARTIGO ORIGINAL ISSN 1677-5090 2013 Revista de Ciências Médicas e Biológicas Correspondência / Correspondence: Selma Alves Valente do Amaral Lopes. Instuto de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Bahia. Avenida Reitor Miguel Calmon, S/N. Vale do Canela. Sala 400. Salvador- BA, Brasil. Telefone: +55 71 82241238 INTRODUÇÃO Apesar dos avanços tecnológicos e científi - cos, a prematuridade, ainda hoje, é um grande pro- blema em assistência pré-natal, constituindo-se na principal causa de morbidade e mortalidade neo- natal. Nos Estados Unidos da América do Norte, nascem, anualmente, cerca de 60.000 recém-nasci - dos prematuros (RNPT) criticamente doentes, com peso inferior a 1.500g (FANAROFF et al., 2007). No Brasil, dados do Ministério da Saúde – consideran- do-se registros do Sistema nacional de Registro de Nascidos Vivos (SINASC) e de algumas coortes re- gionais – evidenciam um aumento nos nascimen- tos prematuros nas últimas décadas (BRASIL, 2011b). A Organização Mundial de Saúde aponta que as maiores taxas de nascimentos prematuros ocor- rem na África e na América do Norte, com 11,9% e 10,6%, respectivamente, de partos prematuros (UNICEF, 2012). Esse mesmo relatório aponta, para nascimentos prematuros no Brasil, uma taxa de mortalidade neonatal semelhante à observada em países com situação econômica e social inferior à brasileira. O Ministério da Saúde do Brasil aponta uma taxa de mortalidade, nesse período da vida, entre 7,9 e 14,2%, o que demonstra uma grande variabilidade entre as regiões geográficas nacio- nais (BRASIL, 2012). A literatura científica tem su- gerido que a variabilidade em relação à extensão da gestação e à maturidade do concepto tem uma influencia pequena da raça, quando comparada