O GESTO APONTAR COMO CATALIZADOR NAS CENAS DE ATENÇÃO CONJUNTA NAS INTERAÇÕES MÃE-BEBÊ Kátia Araújo de Lima * Thalita Maria Lucindo Aureliano ** Valdenice Pereira de Lima *** Jan Edson Rodrigues Leite **** O presente artigo tem por objetivo compreender a relação entre a emergência do apontar e das holófrases para o processo de aquisição da linguagem, bem como relacionar a tipologia de apontares que emergem na primeira infância com os fragmentos enunciativos do bebê. Tomamos como um dos aparatos teóricos Tomasello (2003), que afirma haver um período de desenvolvimento cognitivo intenso das crianças a partir dos nove meses, no qual podemos supor que o infante começa a se inserir em práticas intersubjetivas envolvendo o outro como interlocutor em cenas de atenção conjunta e dessa forma passando a participar de maneira interativa. apontar, atenção conjunta, aquisição da linguagem. Resumo Palavras-chave: E N S A I O DLCV - João Pessoa, v.10, n.1 e 2, jan/dez 2013, 121-125 121 Universidade Federal da Paraíba * ** *** **** Introdução estudo da relação entre gesto e fala, mas concebendo-o como modalidade comunicativa de períodos distintos na aquisição da linguagem. Assim, o uso do gesto seria característico do chamado período pré-linguístico da criança e desapareceria em função da emergência da fala, do sistema linguístico. Desde o nascimento os bebês ficam expostos a situações de interações junto com os adultos que os rodeiam. Mesmo sem saber expressar verbalmente os seus desejos, os bebês interagem com os cuidadores através de gestos, sendo o mais frequente o gesto de apontar. A revolução dos nove meses Tomasello (2003) chama o desenvolvimento das crianças entre 9 e 12 meses de revolução dos nove meses, pois é nesse momento que indica como D e acordo com Kendon (1982) a in- vestigação sobre gestos dentro de uma perspectiva linguística pouco se desenvolveu, até que os estudos de Chomsky despertassem o interesse de outros linguistas sobre o fenômeno da lin- guagem gestual. E, como consequência da análise da língua enquanto fenômeno mental, hoje os estudos dos gestos são revigorados por parte daqueles que se in- teressam pelo estudo da língua. Assim, se a partir de Chomsky a língua é consi- derada como uma atividade cognitiva, e, se as expressões gestuais estão intima- mente envolvidas em atos da expressão linguística falada, é necessário observar os gestos como parte das atividades cognitivas. Na aquisição da linguagem, autores como Bruner (1975, 1983) dedicou-se ao