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EXPOSIÇÕES
A política das imagens na exposição Levantes
Márcio Seligmann-Silva
Publicado em: 23 de janeiro de 2018
Foto de Ken Hamblin, Rua Beaubien, 1971, Coleção Joseph A. Labadie, Coleções especiais da Universidade de Michigan. ©Ken Hamblin
A exposição Levantes, com curadoria de Georges Didi-Huberman e em cartaz no Sesc Pinheiros (SP), parte de uma série
de pressupostos teóricos que podemos encontrar na vasta obra desse historiador e teórico da arte francês. Um deles tem
um forte teor psicanalítico: as configurações artísticas devem ser consideradas em grande parte enquanto elaborações de
um passado traumático. A arte seria uma inscrição mnemônica, que ao transpor o vivido para o âmbito do jogo de
apresentação, tenta dominar o passado. Dessa forma as obras de arte se transformam também em arcas, em receptáculo
que transportam diferentes momentos que aportam e penetram em outros presentes e que, por sua vez, os ressignificam
Sendo assim, toda arte é arte da memória e da recordação.
Freud, em seu ensaio “O Homem Moisés e a Religião Monoteísta” (1939), formulou que toda a riqueza das epopeias
homéricas e das tragédias áticas só pode ser compreendida se tivermos em mente que os núcleos dessas obras foram
alimentados e energizados por terríveis catástrofes históricas que se cristalizaram sob a forma de mitos. Creio que essa
concepção permite entender que Levantes faz uma arqueologia dos nossos mitos, traça um corte transversal na nossa
memória cultural, visando despertar no nosso presente as centelhas de sonhos massacrados pela máquina mortífera da
modernidade – ou do capitalismo, para irmos direto ao ponto.
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